14/08/16

Pai


10/06/16

Marcus Jardim Gonçalves

Vulto inconteste da história da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Marcus Jardim Gonçalves exerceu o comando de diversas Organizações Policiais Militares, podendo-se citar a 9ª CIPM, CIPMCães, 35º BPM,  7º BPM, 12º BPM, 16º BPM, além do 1º e do 3º Comandos de Policiamento de Área.

No interior das Unidades que comandava mandava grafar frases bíblicas para exortar sua tropa a bem servir.

A ninguém queirais extorquir coisa alguma; nem deis denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso soldo(Lucas 3:14, área interna do 7º BPM).

Em meio aos enfrentamentos, às perdas de vidas de sua tropa na área de policiamento do 16º BPM e ao interesse internacional que recaía sobre a política de segurança do Rio de Janeiro, presenteou relator da ONU com réplica de veículo blindado ao recebê-lo em sua Unidade Operacional dizendo:

"Esta é a representação de nosso veículo blindado, carinhosamente apelidado de caveirão, que tantas vidas já salvou. Viva o 16º Batalhão da PM, viva o caveirão!”.

Comandava a circunscrição do 1ª Comando de Policiamento da Capital quando da ocupação, no ano de 2010, do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. Como tal e como ex. comandante do 16º BPM foi o principal responsável pelo planejamento das ações que mereceram cobertura nacional e internacional.

Ainda no Comando do 1º Comando de Policiamento de Área gerou polêmica ao distribuir cartões de Natal com um Papai Noel PM, trajado de azul e equipado à frente de um veículo blindado.

Desempenhou ainda relevantes cargos no cenário municipal.

Foi Secretário de Segurança Pública de São Gonçalo e de Ordem Pública de Niterói, oportunidades em que fomentou a profissionalização das Guardas Municipais e a integração de esforços entre municípios e estado em prol da segurança pública.

Em Niterói, foi em sua gestão que teve lugar a inauguração do Centro Integrado de Segurança Pública e o advento das Bases Integradas entre PM e Guarda Municipal.

Inovador e disposto à quebra de paradigmas em prol da eficiência foi o responsável por uma das maiores e mais audaciosas inovações voltadas à melhoria do atendimento ao cidadão, implantando, com êxito, a lavratura de termos circunstanciados por servidores da Guarda Civil Municipal de Niterói nas hipóteses de infrações penais de menor potencial ofensivo.

Religioso, fervoroso devoto de São Jorge e maçom, não raras vezes e sem alarde destinava tempo e recursos à filantropia realizando a entrega de brinquedos a crianças carentes e de cestas básicas a famílias necessitadas.

Flamenguista “doente”, trabalhador compulsivo, tinha estranha cisma com as segundas-feiras e era obstinado pela vida e pela Polícia Militar.

Ficava insatisfeito quando seu nome era grafado com “o” e não com “u”. “É Marcus com ‘u’ guerreiro”. “Guerreiro” era a palavra que costumava utilizar ao lidar com pares e subordinados.

Palavra que, em verdade, bem reflete a conduta do Cel Marcus Jardim Gonçalves.

Lutou contra o câncer por mais de uma década e, já nos estertores de sua vida terrena, mesmo acamado no Hospital Central da Polícia Militar, fazia questão de despachar documentos de sua responsabilidade como secretário municipal de ordem pública. 

Nas palavras do Cel RR José Maurício Padrone, que bem refletem a estirpe profissional do Cel Marcus Jardim, era ele “homem de ação, justo, motivador e contagiante. Seus posicionamentos e atitudes sempre foram claros e objetivos, respeitados pelos seus pares e adorado pela tropa. Defensor aguerrido da sociedade, entendia o cenário da violência como poucos. Perdem a PM e a sociedade um ícone cujas palavras e ações não serão esquecidas.”.

Na sexta-feira à noite, dia 13/05/2016, em seu leito hospitalar, já sem condições de falar e mesmo de se alimentar, fez questão de responder, com dificuldade e fazendo o gestual da continência, à saudação militar recebida por subordinado que o visitava.

Partiu na madrugada de segunda-feira vítima de câncer prostático metastático. Estava ao lado de sua esposa no quarto 765 do Hospital Central da Polícia Militar.

Em seu sepultamento e em meio às centenas de civis e militares que lotavam o Cemitério Parque da Paz, em São Gonçalo, recebeu a continência de profissionais da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal perfilados à passagem de sua urna, coberta pelas bandeiras do Brasil e do Flamengo.

Ao toque de silêncio, seu féretro desceu à sepultura, mas seu legado dentro e fora da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro continua vivo.

O legado do Coronel de Polícia Militar Marcus Jardim Gonçalves.



30/03/16

Exemplo e ontem


Como dizia Albert Schweitzer, dar o exemplo não é a melhor forma de influenciar os outros, mas a única.

Ontem, ao completar meu vigésimo sétimo aniversário de ingresso na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, ponderei sobre personalidades com as quais trabalhei e que, com seus exemplos, me marcaram positiva e negativamente; de soldados a coronéis.

Como dizia meu saudoso pai, eu deveria observar exemplos em meus locais de trabalho, bons e ruins, copiando os primeiros e refutando os últimos.

Ontem ainda tive a oportunidade de comparecer ao prédio em que nasci, no Estácio, na sede do Hospital Central da Polícia Militar, para visitar uma dessas personalidades, marcante, tenho certeza, não só para mim.

Lá estava o nem tão velho assim Coronel de Polícia em mais um capítulo de sua aguerrida luta por restabelecimento. Aliás, se eu tivesse que escolher uma palavra para simbolizar esse profissional, ou melhor, esse ser humano, creio que a palavra luta seria a melhor escolha. Sei que poderia escolher muitas outras: coragem, retidão, força, fé, coração, etc., mas escolho luta pois é a que me vem a mente no momento em que  me recordo de sua imagem de ontem e de outrora ao longo de sua carreira dentro e fora da PM do RJ.

Claro que, como todos os superiores, pares e subordinados com os quais trabalhei, nem sempre houve concordância em pontos de vista, embora talvez no caso desse Coronel de Polícia tenha sido eu fonte de não poucas manifestações de superioridade intelectual e moral de sua parte (não falo agora de hierarquia funcional) ao lidar e relevar, ao longo de anos de trabalho em conjunto, minhas imperfeições e deficiências.

O Sr. é fonte de inspiração Cel...

Inspiração, por seu legado e amor institucional, para os homens e mulheres, ativos e inativos, que integram a importante, mas pouco compreendida e justiçada Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Certamente inspiração também para seus familiares por suas demonstrações de probidade e zelo.

Inspiração para centenas de profissionais de segurança pública de Corporações outras com os quais teve e tem contato em razão de atribuições exercidas após sua precoce transferência para a inatividade.

A luta continua Cel!

Coronel de Polícia e Secretário Municipal de Ordem Pública de Niterói MARCUS JARDIM GONÇALVES



 



30/08/15

Carta de Natal

Federação Nacional das Entidades de Oficiais Militares Estaduais
XV Encontro de Entidades de Oficiais Militares Estaduais
Carta de Natal-RN

Aos vinte e sete dias do mês de agosto de dois mil e quinze, as entidades de oficiais militares estaduais, federadas à Federação das Entidades de Oficiais Militares Estaduais (FENEME), representada por seus Presidentes, reunidas por ocasião de seu 15º Encontro Nacional, na cidade de Natal, Estado do Rio Grande do Norte, proclamam a presente “Carta de Natal” nos seguintes termos:
I – Repudiar qualquer iniciativa tendente a manter ou reforçar o atual sistema policial marcado por meias polícias e por uma resolutividade de infrações penais que, vergonhosamente, tem atingido em média míseros 5% (cinco por cento), situação única no mundo no que concerne a ineficiência.
II – Implantar o Ciclo Completo de Polícia, para todas as instituições policiais, a exemplo de todos os países, com destaque para as nações desenvolvidas, permitindo que os atos lavrados sigam diretamente ao Poder Judiciário, deste modo: - possibilitando uma reforma estrutural com redução significativa de custos - aumentando a fidedignidade das informações prestadas; - desburocratizando o atendimento policial ao cidadão; - alcançando maior eficiência de todas as instituições policiais; a ser consubstanciado com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 423/2014, a “PEC da Segurança” bem como outras que contenham a implantação do Ciclo Completo.
III – Reforçar o conceito de autoridade policial, conforme constantemente ratificado pelo STF, no contexto da Lei 9.099/95 como o primeiro policial atendente da ocorrência in loco, cabendo a esta instituição o registro do fato com o encaminhamento ao Poder Judiciário, refutando as tentativas meramente corporativistas, que têm pressionado o Congresso Nacional a concentrar tal conceito em um único cargo.
IV – Defender a criação de um Conselho Nacional de Polícia, como órgão maior fiscalizador do sistema policial, com a participação da sociedade civil organizada, trabalhadores da segurança pública e instituições, objetivando fortalecer as apurações de irregularidades policiais e, por conseguinte, a disciplina Policial e a credibilidade das instituições perante a sociedade.

V – Fortalecer o poder de Polícia Administrativa da Polícia Militar atribuindo, por leis específicas a ela, competências relativas a gestão preventiva da segurança pública e preservação da ordem pública, promovendo-a a instituição por excelência preventiva, ao contrário do quadro atual.

VI – Fortalecer o poder de Polícia Administrativa do Corpo de Bombeiros, incluindo todos os atos deste, no que se refere aos assuntos afetos a: prevenção e combate a incêndios, prevenção e atendimento a sinistros, situações de emergências e pânico, calamidades públicas, entre outras atividades de segurança pública e defesa civil, pela necessária instituição dos códigos de prevenção contra incêndio estaduais e nacional.


Natal-RN, 27 de agosto de 2015.
MARLON JORGE TEZA
Coronel PMSC

09/08/15

No passado

Lembro-me de quando vestia a camisa azul de meu pai, orgulhoso em ser filho de PM, não fazendo segredo algum (muito ao contrário) em dizer que era filho de Capitão da PM. "Seu pai é capitão e advogado" (sic), dizia minha mãe...
Lembro-me do dia em que, atendendo aos meus reiterados apelos, meu pai me buscou, fardado, à saída da escola e lembro-me daquela roda de crianças em torno dele.
Lembro-me de sua espada presa à parede na sala de nossa casa.
Lembro-me do presente que, com a autoridade de meus poucos anos de vida, lhe dei e da promessa de que ele o exibiria em sua mesa de trabalho. Era um brasão de plástico com a expressão "Capitão" que comprei na barraquinha do colégio com o dinheiro da merenda.
Lembro-me do Cabo de Polícia responsável por garantir nossa travessia segura ao término das aulas e das homenagens que sempre recebia de nossa escola aquele "Cabo velho".
Lembro-me de meu pai me mandando buscar seu "bibico", já que estava seguindo para o pátio do Batalhão de São Cristóvão e não queria dar mau exemplo.
Lembro-me dele engraxando o coturno para a passagem de comando do Batalhão. E lembro-me dele desfilando, ao lado de outros Oficiais, em continência ao novo Comandante, em plena Praça da Harmonia.
Lembro-me dos desfiles no dia 21 de abril, quando, orgulhoso, ladeava meu pai na escadaria da ALERJ para ver a PM desfilar. E lembro-me daqueles uniformes azuis, da marcialidade, do movimento d`armas e do brado da EFO.  
Lembro-me de respeito, tradição, garbo, amor...
Lembro-me da Polícia Militar!
E lembro-me de que, como ouvi faz alguns poucos anos, o futuro da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro está no passado.
No passado!

21/04/15

O texto (e a busca) já têm mais de 20 anos

Em busca de um PM esquecido

Te observando PM, notei teu abatimento, tua tristeza, teus ideais distantes.
Tua farda já não brilha, teus ombros não a envergam com orgulho.
Tua postura já não é mais aquela de outrora.

Sei da tua dificuldade, mas fiquei divagando sobre teus sonhos ao entrar na Academia.
Não quiseste ser um policial pelo teu instinto de justiça?
Não te guiaste pela história do mocinho e do bandido?

Falo de ti, Oficial, que hoje só podes vislumbrar o futuro do soldo para sustentares tua família.
Concordo, mas não te abatas, estamos num barco só.
Falo de ti, recruta, que agora só pensas numa chance de se dar bem, de achar alguma brecha para algo melhor.Não te iluda, tudo não passa de forma inversa de destino...

E não concordando, não aceitando, querendo lembrar do princípio de tudo, peço que me ouças:
Sou o povo que tu proteges...
Sou a mulher que ajudaste a parir o filho...
Sou o vizinho, que ao segurar o pulso, evitaste uma briga...
Sou o motorista que ouviu uma lição de moral por tentar te corromper...
Sou a mulher, que passando mal, deste o ombro amigo até o hospital...
Sou a cadela que salvaste junto com os filhotes de morrer na saliência de uma pedreira após o parto...
Sou todos os pássaros que hoje voam livres depois de me arrancares das mãos do passarinheiro safado...
Sou a mulher que socorreste por estar em lugar ermo com o carro enguiçado...
Sou tanto de tanto que tu fazes...
Sou tudo de todo serviço que me prestas...

Me escuta PM!
Seja Oficial, Soldado ou Comandante.
Ergue teu ombro, veste com orgulho tua farda, olha para nós com autoridade e respeito, lembra de tudo que representa para o cidadão.

E sonha PM, sonha com vontade, tem desejo de ser digno e torna real o princípio do princípio.
Levanta tua cabeça, estufa teu peito e mostra a tua cara.
Porque nós...
nós só temos a ti.”

Íntegra de correspondência enviada pela Sra. Sheila da Silva Moura, publicada no Boletim da Polícia Militar do RJ em 04Jun92.

18/04/15

Carta de Vitória

CARTA DE VITÓRIA - ES OFICIAIS MILITARES DE TODO PAÍS DEFENDEM CICLO COMPLETO DE POLÍCIA E RECHAÇAM DESMILITARIZAÇÃO

Após dias de congraçamento e reflexão sobre questões de Segurança Pública, oficiais militares de várias partes do país aprovaram a Carta de Vitória na tarde de quinta-feira (09/04), durante Assembleia Geral da Feneme. O XIV Encontro Nacional de Entidades Representativas de Oficiais Militares Estaduais (Eneme) foi aberto na quarta-feira (08/04) e encerrado na sexta-feira (10/04), no Cerimonial Aspomires, em Vitória, na capital do Espírito Santo.
Um dos termos do documento manifesta apoio à aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 423/2014, a “PEC da Segurança”. Ao apoiarem a discussão, as lideranças associativas estaduais defendem a mudança no sistema de segurança com a criação do Ciclo Completo de Polícia, considerando-o mais eficiente e ágil na resolução de contravenções penais e de crimes.
Adotado em quase todos os países do mundo, o modelo de Polícia de Ciclo Completo ou Ciclo Completo de Polícia atribui à mesma corporação policial as atividades repressivas de polícia judiciária ou investigação criminal e as de prevenção aos delitos e manutenção da ordem pública. Hoje, a Constituição Federal Brasileira dispõe sobre duas corporações estaduais de ciclo incompleto, de um lado, a Polícia Militar, responsável pelas ações ostensivas e de preservação da ordem, e do outro, a Polícia Civil, encarregada de ações de polícia judiciária.
O presidente da Feneme, coronel PM Marlon Jorge Teza, defende a junção das atividades de polícia judiciária e de investigação criminal com as de prevenção e manutenção da ordem dentro da mesma corporação. “Esse é o grande eixo do nosso encontro. Queremos avançar nesta discussão e deixar de ser polícia pela metade”, salienta.
Defensor deste modelo, o presidente do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais (CNCG), coronel Silvio Benedito Alves, um dos participantes do evento, enfatizou que a sociedade não aguenta mais ter que ligar para a Polícia Militar para ser atendida e depois ser orientada a procurar também a delegacia para preencher o boletim de ocorrência. Segundo o comandante-geral de Goiás, esta situação faz com que o cidadão sinta-se desprestigiado. De acordo com o coronel Silvio, o conselho defende um modelo em que o militar possa atuar desde o flagrante até a condução do caso ao Ministério Público.
Os oficiais repudiam qualquer tentativa de desmilitarização, conforme descrito no terceiro termo da carta: “afirmar que a investidura militar das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares é no Brasil um importante instrumento para a melhoria constante da segurança pública, tal qual já se dá em mais de 50 países, inclusive da Europa e da América do Sul, e que rechaça propostas superficiais e ideologizadas de extinção dessa característica peculiar”.
Dentre outros temas, o documento assinado pelas instituições estaduais associadas à Feneme ainda propõe instigar os membros do Congresso Nacional na direção da aprovação das propostas legislativas que regulamentam o Poder de Polícia Administrativa das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares. Uma das experiências bem sucedidas é a de Santa Catarina. Com a criação e regulamentação da Lei nº 16. 157, no ano de 2013, o Corpo de Bombeiros catarinense ganhou coercibilidade e passou a ter atribuições de aplicar sanções administrativas (advertência, multa, interdição, parcial ou total e embargos) no caso de descumprimento das normas de Segurança Contra Incêndio (NSCI) da corporação.
A Carta de Vitória será entregue ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, a cada associação de militares e bombeiros e a autoridades locais e seus deputados federais. Confira abaixo o documento completo.
O XIV Eneme - O encontro é uma realização da Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme) em parceria com a Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires). Nesta edição, a programação marca os 50 anos de atividades da associação capixaba cujo compromisso é oferecer assistências social, jurídica e financeira para policiais e bombeiros militares, além de pensionistas de militares capixabas.
De abrangência nacional, o evento tem por objetivo principal congregar as entidades de oficiais militares estaduais para o fortalecimento da união, da solidariedade e da defesa dos interesses coletivos dos representados da ativa, da reserva ou reformados e pensionistas de policiais e bombeiros militares.
O Eneme também reúne as principais lideranças associativas nacionais para analisar e debater as propostas constitucionais em trâmite no Congresso Nacional e o atual quadro político e social brasileiro. Desta forma, o evento prepara uma pauta de ações conjuntas com soluções para as expectativas da sociedade brasileira. A ideia é dar consistência à atuação das entidades de classes por meio de uma ação política unificada, propositiva e pragmática.
A décima quarta edição apresentou temas como Ciclo Completo de Polícia; Poder de Polícia do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina; As pensionistas dos militares estaduais segundo a Constituição Federal; o Sistema de Gestão Integrada (SGI) – O Modelo Aspomires; Estratégias Políticas de Atuação Associativa – o Caso de Sucesso da Acors; e a Segurança Pública no Congresso Nacional – projetos em tramitação. Os oficiais brasileiros também tiveram a oportunidade de conhecer a experiência de segurança pública alicerçada em conceitos e na prática da cidadania, do compartilhamento de informações e da participação dos cidadãos da Guarda Civil da Espanha e da Gendarmeria Nacional da França.
O evento reuniu participantes do Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, São Paulo, Goiás, Alagoas, Rio Grande do Sul, Tocantins, Maranhão e do Distrito Federal. Esta é a segunda vez que o Espírito Santo recebe o encontro. No ano de 2010, a Feneme e a Aspomires realizaram em Vitória a décima edição do Eneme.
 
Federação Nacional das Entidades de Oficiais Militares Estaduais
XIV Encontro de Entidades de Oficiais Militares Estaduais
 
Carta de Vitória
 
Aos nove dias do mês de abril de dois mil e quinze, as entidades de oficiais militares estaduais, federadas à Federação das Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme), representada por seus Presidentes, reunidas por ocasião de seu 14º Encontro Nacional, na cidade de Vitória, Estado do Espírito Santo, proclamam a presente “Carta de Vitória” nos seguintes termos:
I – Apoiar a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 423/2014, a “PEC da Segurança”, por ser uma proposta séria e viável de mudança de nosso sistema de segurança pública ao permitir à União, aos Estados e Distrito Federal a criação de polícia de Ciclo Completo. Assim a PEC visa contribuir para a resolução de contravenções penais e de crimes de forma muito mais ágil e autônoma por parte das Polícias Militares e Civis, Polícias Federal e Rodoviária Federal, adequando-se aos modelos trabalhados em todo o mundo, bem como vinculando receitas orçamentárias para o custeio e investimento na segurança pública, tal como já ocorre na saúde e educação.
 
II – Concitar os membros do Congresso Nacional pela aprovação das propostas legislativas que regulamentam o Poder de Polícia Administrativa das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, bem como que cria a Lei Orgânica destes e o Código Nacional de Segurança contra Incêndio e Pânico.
III – Afirmar que a investidura militar das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares é no Brasil um importante instrumento para a melhoria constante da segurança pública, tal qual já se dá em mais de 50 países, inclusive da Europa e da América do Sul, e que rechaça propostas superficiais e ideologizadas de extinção dessa característica peculiar.
IV – Repudiar as iniciativas de alguns Estados de conferir tratamento previdenciário equivalente aos servidores públicos, aos integrantes das Polícias Militares e Bombeiros Militares e seus pensionistas, por não respeitarem a condição especial conferida constitucionalmente aos militares estaduais e seus pensionistas.
V – Comprometer-se com a melhoria dos serviços prestados à sociedade e por uma polícia defensora dos direitos dos cidadãos, tal qual foi experimentado pela população e muito evidenciado pela mídia quando das manifestações populares no dia 15 de março deste ano.

Marlon Jorge Teza
Coronel PMSC – Presidente da Feneme
 
Fonte:
Assessoria de Imprensa do XIV Eneme
Simony Leite Siqueira - (27) 9-9721-7395

01/11/14

Antítese

Interior do 7º Batalhão de Polícia Militar - RJ


http://extra.globo.com/casos-de-policia/comandante-de-batalhao-homenageado-com-funk-acompanha-fazendo-batida-14427150.html


28/09/14

Sobre a Polícia Militar

do Rio de Janeiro...
Afinal, é no RJ que resido.
Se fosse falar de outra Polícia Militar, poderia fazê-lo em relação à PMSC, cada vez mais, referência nacional em excelência de serviços prestados à população.
Mas sou do RJ!
Preciso falar de uma Polícia Militar em que a máxima segundo a qual "toda ocorrência termina na delegacia" ainda é uma triste, onerosa e penosa realidade.
De uma PM mais tutelada por práticas policialescas eleitas por gestores da "polícia judiciária" do que por ditames legais vigentes.
Da PM de uma Unidade da Federação em que até mesmo o simples registro de extravio de documentos só é feito no balcão de uma delegacia de polícia.
Da PM de um estado em que a "solução" para o controle da criminalidade parece desconsiderar a necessidade de redução da sensação de impunidade, fundamentando-se, tão somente, na mera presença de representação fardada/uniformizada como pressuposto de redução de crimes, desconsiderando o fato de que tal medida apenas desloca sua prática.
Da PM de um estado em que as taxas de elucidação de delitos da polícia investigativa permanecem ocultas. E ocultas, pasmem, sob o seguinte argumento de sua Secretaria de Estado de Segurança:
"Os sistemas informatizados das Delegacias Legais não permitem ao Instituto de Segurança Pública consolidar as informações sobre a elucidação de delitos nas Delegacias Legais" (informações prestadas no bojo do Processo n.º 0045384-90.2014.8.19.001).
Não vou falar de "meritocracia", de escalas, de posicionamentos, de amor corporativo, de polícia judiciária militar, de autoridade moral, de legitimidade, de profissionalismo, de identidade ou de ética...
Aliás, nem vou falar da PM do RJ... 
Não é necessário!