10/10/2007

O QUE É ISSO?

"A CORE ou o BOPE participaram dessa operação do 16º BPM (Olaria) no Morro da Fé? Onde foi parar a FARDA desses Policiais Militares?
Como diria o Capitão Nascimento: - Tira essa farda preta!!!
Curioso esse "fenômeno" de PMs usando camisas pretas APENAS com a inscrição POLÍCIA!" (Fonte: grupo PCERJ).

ISSO, INFELIZMENTE, DEVE SER (AO MENOS AO QUE AS CAMISAS "INDICAM") A POLÍCIA (OSTENSIVA OU JUDICIÁRIA, TANTO FAZ) DO GOVERNO SÉRGIO CABRAL.

ISSO É APENAS MAIS UM RETRATO DA "POLÍTICA DE SEGURANÇA" DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

09/10/2007

9 de outubro.



07/10/2007

Militar de polícia, patrimônio da nação brasileira.

Carta a El Rei de Portugal
"Senhor, umas casas existem no vosso reino, onde homens vivem em comum, comendo do mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um toque de corneta se levantam para obedecer. De noite, a outro toque de corneta se deitam, obedecendo. Da vontade fizeram renúncia como da Vida. Teu nome é Sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento físico. Seus pecados mesmos são generosos, facilmente esplêndidos...
Quando eles passam juntos fazendo barulho, os corações mais cansados sentem estremecer alguma coisa dentro de si. A gente conhece-os por militares...
Pelo preço de sua sujeição, eles compram a liberdade para todos ....

E quando ele se põe em marcha, à sua esquerda vai a coragem, e à sua direita a disciplina.
(Trecho da carta escrita por Moniz Barreto, em 1893, publicada no Jornal do Exército de Portugal, Nº 306).



Não poucas são as profissões melhor remuneradas, mas poucas... muito poucas, podem proporcionar a exata noção e a satisfação do dever cumprido, mesmo com o sacrifício da própria vida.

06/10/2007

A Polícia Civil que queremos (e precisamos) começa pela tomada de posição da Polícia Militar.

A frase foi inspirada em entrevista que acabo de ouvir, fornecida à Rádio CBM no dia de hoje pelo Corregedor Interno da PM do RJ; a propósito, autor de profícua e viável proposta para a segurança pública, disponível em http://celprpaul.blogspot.com/2007/10/uma-proposta-nova-para-segurana-pblica.html.

Espero que as palavras sejam convertidas, o mais rápido possível, em ações e que as medidas tragam como benefícios à sociedade não apenas o incremento dos índices de elucidação de delitos da Polícia Civil, como também a redução dos autos de resistência da Polícia Militar, submetidos que passarão a estar ao crivo de suas delegacias de polícia judiciária e sob o olhar diligente do Parquet.

Será que agora é mesmo "à vera"?

Será que o elefante arrebentará o barbante que o amarra?

Tenho certeza de que a sociedade, mesmo que em certos casos, sem se dar conta, anseia por urgentes mudanças de atitude por parte de sua polícia.

05/10/2007

No Rio Grande do Sul.


"No próximo dia 17 de outubro será realizada a ‘Marcha Pró Segurança’, uma parceria da Associação dos Oficiais da Brigada Militar (AsofBM), em conjunto com a Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar (ABAMF) e Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar (ASSTBM).
A marcha sairá da praça Brigadeiro Sampaio, localizada na Rua dos Andradas esquina com a Rua General Portinho, ao lado do QG, a partir das 14 horas e terá como ponto final o Palácio Piratini. As três associações da Brigada Militar já enviaram ofício solicitando que ao final da caminhada a governadora os receba para uma audiência.
De acordo com o vice-presidente da AsofBM, Ten Cel Jorge Antônio Penna Rey a caminhada tem como objetivo principal sensibilizar o Governo do Estado para questões ligadas a categoria, e também reafirmar para a governadora Yeda, que não aceitaremos nenhum projeto que altere os Direitos atuais dos Militares Estaduais, como por exemplo o aumento do tempo de serviço, a mudança do plano de carreira e a diminuição de vagas. 'Isto não vamos nem discutir', afirma o Ten Cel Penna Rey.

Dia: 17 de Outubro – Porto Alegre
Horário: 14:00 horas
Local: Praça Gen. Sampaio (ao lado do QG da BM)

• Brigadiano ativo e inativo

- DIGA NÃO... Ao:
- Aumento de tempo de serviço para 35 anos;
- Fim da Paridade Salarial entre ativos e inativos;
- Fim da substituição temporária dos Praças;
- Alteração do Plano de Carreira sem discussão;
- Fim da promoção na passagem para reserva;
- Concurso público para civil na graduação de Sgt;
- Salário mais baixo entre as PMs do Brasil;
- Aumento da Violência contra PMs;
- Malefícios da Proposta de Emenda Constitucional
-21.• Brigadiano ativo e inativo

- DIGA SIM... Ao:
- Cumprimento da Matriz Salarial Lei 12.201/2005;
- Reajuste salarial e pagamento das promoções;
- Regulamentação da Dedicação Exclusiva e Adicional Noturno;
- Mantenimento dos direitos e vantagens já conquistados;
- Previdência especial, integralidade e paridade salarial na reserva;
- Preenchimentos das mais de 4.000 vagas para CTSP e CBA;
- Valorização dos Homens e Mulheres de segurança publica." (Fonte: ABAMF - ASSTBM - ASOFBM).

Finalmente!

Pelo que pude inferir da leitura de matéria publicada no jornal "Extra", de 04/10/07 ("Mudança na Corregedoria da PM - Órgão quer que Delegacia Judiciária investigue casos envolvendo militares em vez da Polícia Civil"), a lei será cumprida e os registros alusivos aos crimes militares não mais serão feitos nas delegacias de polícia civil.

Cabe ressaltar que o art 9º do Códio Penal Militar define objetivamente as hipóteses em que o delito é de natureza castrense, sendo certo que no que atine aos "crimes dolosos contra a vida" praticados contra civil, o texto da lei n.º 9299/96, responsável pela revogação da alínea "f" (que configurava como crime militar o praticado, mesmo fora de serviço, mas com a utilização de armamento militar) e introdução do parágrafo-único no art. 9º do CPM, assim versa:

"Art. 1º O art. 9° do Decreto-lei n° 1.001, de 21 de outubro de 1969 - Código Penal Militar, passa a vigorar com as seguintes alterações: 'Art. 9° ...........................................................................
...............................................................................
II - ..........................................................................
...............................................................................
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil;
.................................................................................
f) revogada.
.................................................................................
Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum.'
Art. 2° O caput do art. 82 do Decreto-lei n° 1.002, de 21 de outubro de 1969 - Código de Processo Penal Militar, passa a vigorar com a seguinte redação, acrescido, ainda, o seguinte § 2° , passando o atual parágrafo único a § 1° :
'Art. 82. O foro militar é especial, e, exceto nos crimes dolosos contra a vida praticados contra civil, a ele estão sujeitos, em tempo de paz:
...............................................................................
§ 1° ..........................................................................
§ 2° Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Justiça Militar encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum.'
Art. 3° Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação." (g.n.).

Quanto à competência da Polícia Civil, vale lembrar de que é alvo de uma das poucas vedações expressas constantes do texto constitucional:
"Art. 144 ....................................................................
................................................................................
§ 4º - às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares." (g.n.).

Espero que a polícia judiciária militar possa melhor apurar, principalmente, os homicídios eventualmente travestidos de "autos de resistência", fornecendo ao Tribunal do Júri elementos bastantes para que a justiça seja realmente feita, colaborando para a redução da impressionante marca de 845 "autos de resistência" registrados no período de janeiro a agosto de 2007.

E tenho certeza de que a medida se reveste ainda de importante passo no sentido de propiciar à polícia judiciária comum mais uma oportunidade para que otimize a aplicação de seus recursos humanos e materiais com vistas à elucidação dos delitos que tanto assolam nossa sociedade.

Afinal, de janeiro a agosto do corrente ano, ela foi alvo de 3579 homicídios dolosos (nos quais não estão inseridos os 845 "autos de resistência", nem tampouco os 99 latrocínios registrados), 2785 roubos a estabelecimentos comerciais, 33800 roubos a transeuntes, 19760 roubos de veículos, 12893 furtos de veículos e 5067 roubos em coletivos.

Quem sabe a sociedade fluminense passe até mesmo a ser informada pelo Instituto de Segurança Pública do governo Sérgio Cabral (www.isp.rj.gov.br) sobre quantos de tais registros foram elucidados.

04/10/2007

Chega a impressionar.

Não apenas a discrepância entre suas palavras e suas (não) ações, mas também a quantidade e a natureza dos erros - mesmo, ouso dizer, políticos - cometidos por Sérgio Cabral.
Fico em dúvida apenas se o problema está em sua "assessoria" ou em sua própria mente.

"VENDA DE TERRENO DE BATALHÃO NO LEBLON
Batalha entre governo e prefeitura

Segundo o Município, projeto restringe utilização de área do quartel apenas para fins militares
4/10/2007 02:08:00

Batalha entre governo e prefeitura Segundo o Município, projeto restringe utilização de área do quartel apenas para fins militares
Flávia Salme
Rio - A intenção do governador Sérgio Cabral de pôr à venda dois terrenos no Leblon pertencentes ao governo do estado — entre eles quase 90% dos 40 mil metros quadrados do 23º BPM (Leblon) — pode não se concretizar. O prefeito Cesar Maia afirma que o Decreto nº 6115/86, que instituiu o Projeto de Estruturação Urbana (PEU) do Leblon, inviabiliza a proposta de venda do terreno para a iniciativa privada: no local, só instalação militar.
O secretário municipal de Urbanismo, Augusto Ivan, explica que o artigo 11 não admite transformações no uso da área. - 'A lei é restritiva em relação ao terreno. Como no local funciona um Batalhão da PM, que sucedeu a ocupação do Exército, fica claro que é uma área de uso militar', atesta.

CONTRADIÇÃO
Em nota, a assessoria do Palácio Guanabara afirma que “a legislação municipal não pode obrigar o Estado a usar imóvel de sua propriedade para uma finalidade específica” e reforça que, além da inconstitucionalidade, há contradição nos argumentos. Segundo levantamento da Casa Civil, a própria Procuradoria-Geral do Município concordou com a modificação do uso do terreno há anos atrás. O parecer foi resposta a consulta da Prefeitura sobre a construção de hospital no lugar do 23º BPM.
O secretário Augusto Ivan foi taxativo: - 'Constitucionalmente, a ocupação do uso do solo é responsabilidade do Município'. Segundo Ivan, o governo estadual pode até vender o imóvel, mas terá dificuldades em aprovar e licenciar qualquer projeto para local. Ele afirmou, porém, que o governador Sérgio Cabral pode elaborar um projeto de lei para alterar a legislação, caso consiga aprovar o documento na Câmara de Vereadores. Cesar Maia demonstrou insatisfação com a idéia e garantiu que não quer saber de mudanças nas regras: - 'Nós não faremos (proposta para mudar o decreto)', afirmou.
Ação civil pública em estudo
A presidente da Câmara Comunitária do Leblon, Evelyn Rosenzweig, estuda a possibilidade de mover ação civil pública para barrar a construção de prédios em uma área de 35 mil metros quadrados do BPM do Leblon. - 'O governador quer dilapidar o patrimônio público e não sabemos a quem isso interessa. Vai haver um adensamento que o bairro não suporta. Ninguém nos chamou para discutir, isso cria uma expectativa negativa', reage.
O governo estadual espera arrecadar pelo menos R$ 220 milhões com a venda do terreno do Batalhão. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, defendeu a proposta, alegando que a unidade policial ficará com uma área ampla, de cinco mil metros quadrados. Em protesto, moradores do bairro organizam um abraço simbólico em torno do terreno do 23º BPM, dia 21
. " (O Dia online - 04/10/07).

No "O Globo":

Por causa do barulho, essa é uma parte menos valorizada do terreno”.

Regis Fichtner, Chefe do Gabinete Civil de Sérgio Cabral, justificando o local escolhido para a construção da nova sede do 23º Batalhão de Polícia Militar (ODia online, 03/10/07).

03/10/2007

Brocoió!


BROCOIÓ - Corruptela de borocoió, "sussurros; sussurrante". Diz a lenda que nesta ilha, que havia servido de presídio para índios rebeldes contra os chefes de tribos do litoral, seus espíritos vagam durante a noite com soluços e gritos, clamando por socorro. Até hoje, os moradores da praia Grande, da ilha de Paquetá, que fica em frente, afirmam que ouvem "sussurros" vindos de lá. É tida como lugar de influências maléficas.
Em 1944, ela foi comprada de Octávio Guinle pela Prefeitura do então Distrito Federal. atualmente, seus 200.000 m2 são destinados ao repouso do governador do estado do RJ. Sua residência de verão é uma mansão em estilo normando, construída com material oriundo da França e de Portugal, origem do mármore de Lioz que reveste os pisos e o banheiro da suíte principal.
No momento em que Sérgio Cabral dá mais uma demonstração de desprezo por sua Polícia Militar e pela sociedade, insistindo despoticamente na venda da área física do Batalhão do Leblon, me ocorreu que talvez outros próprios públicos, de menor ou nenhuma utilidade pública, pudessem ser prioritariamente vendidos. Foi então que me veio à mente a Ilha de Brocoió.
Imaginem quanto custou ao estado do RJ nos últimos anos a manutenção da residência de verão de Sérgio Cabral; os traslados aéreos entre ela e continente, as comemorações, o pagamento dos funcionários lá alocados, etc.
Outrossim, como sabemos, Sérgio Cabral, diferentemente de seus antecessores (freqüentadores de Brocoió), parece preferir a Europa para seus momentos de repouso e lazer.

02/10/2007

"Polícia boa e barata?"

Comentário alusivo à última postagem, ao qual, por justiça, devo dar o destaque merecido:

"É, os PCs tão com moral. Pra dizer isso... Será que foi verdade?

'Caros colegas policiais civis
Como todos já sabem, no dia 28/09/2007, 6ª feira, às 11h00m, ocorreu uma reunião com o Sr. Governador Sérgio Cabral, no Palácio Guanabara, a fim de tratarmos sobre o nosso tão almejado Reescalonamento Salarial.
Presentes à referida reunião o Sr. Governador Sérgio Cabral, o Sr. Chefe da PCERJ, Dr. Gilberto da Cruz Ribeiro, o Deputado Estadual Paulo Mello, líder do governo na ALERJ, o Sr. Secretário de Planejamento, Dr. Sérgio Ruy, e o Sr. Secretário da Casa Civil, Dr. Régis Fichtner.Pelos policiais civis, estiveram presentes Bandeira, Natalício e Cheila Masioli, do SINPOL, Carlos Eustáquio e Miguel Khalil, da COLPOL, Élcio e Erlon, da Associação de Peritos, Marcus Vinicius, da Associação de Inspetores, Franklin, da UNICOMPOL, Júlio César, da Associação de Papiloscopistas, Alex, Mário e Fernando, da Associação de Técnicos e Auxiliares de Necropsia Policial, Delegado Reale, pela ADEPOL, Delegados Jéssica e Vinícius, pelo SINDELPOL, e eu e Denílson.
Com a chegada do Sr. Governador Sérgio Cabral, muito sorridente e que a todos cumprimentou efusivamente, iniciou-se a reunião.
Falaram inicialmente Bandeira e Cheila, expondo os nossos argumentos a favor do Reescalonamento Salarial, e, logo depois deles, o Sr. Governador Sérgio Cabral usou da palavra.Resumindo, em sua preleção, que durou cerca de vinte minutos, o Sr. Governador afirmou o seguinte: 'Meu governo tem como prioridade a Saúde, a Segurança e a Educação. Sei que 4% é muito pouco, mas é o que pode ser concedido no momento, nós herdamos um Estado falido e endividado, uma verdadeira herança maldita, tomemos, por exemplo, a questão das contas-salário dos servidores estaduais com o Itaú, concessão essa que já estamos renegociando, ou ainda o pagamento dos quatorze planos de cargos e salários enviados para a ALERJ ano passado pela Governadora Rosinha, como bem sabe o Deputado Paulo Mello, aqui presente, várias obras iniciadas pela Governadora Rosinha no ano passado que eu estou tendo que acabar, como, por exemplo, o Polícia Boa e Barata não existeRodo Anel Viário, etc. Mas, apesar disso, eu tenho certeza de que, em um futuro próximo, nós poderemos começar a resgatar a dignidade dos policiais civis. Aliás, sobre a Polícia Civil, eu gostaria de deixar claro que ela tem realizado um brilhante trabalho, talvez porque meu governo tenha dado completa autonomia para a Polícia Civil trabalhar, como bem sabe o Dr. Gilberto aqui presente, cujo trabalho à frente da Polícia Civil é motivo de orgulho. Eu, pessoalmente, confio muito na Polícia Civil, e, (nesse momento ele riu) gostaria que a Polícia Civil confiasse tanto em mim quanto eu confio nela. Estamos nos esforçando muito para dar à Polícia Civil o que ela merece, acabamos de autorizar, atendendo a um pedido do Dr. Gilberto, a abertura de um novo concurso, a ser realizado em 2008, para preenchimento de 1.054 vagas ociosas. Não é muito, não é o ideal, eu sei disso, mas é o que pode ser feito no momento, eu peço a vocês que tenham paciência, pois não irão se arrepender. Mas, se, infelizmente, não quiserem ter paciência, e quiserem protestar, como fizeram no mês passado, quando pediram comida no túnel – nesse momento eu interrompi, e disse: Sr. Governador, não foi comida, foi esmola, o senhor está mal informado – lamento, mas entenderei, afinal de contas, vivemos em uma democracia, a qual eu respeito muito, até mesmo porque, por sua ausência, eu precisei visitar meu pai em uma cadeia.'
Encerrada a preleção do Sr. Governador, Cheila Masioli, do SINPOL, novamente usou da palavra, retrucando com novos argumentos, seguindo-se a ela o Delegado Vinicius, que, sempre muito firme, também argumentou, e, aí, chegou a minha vez de falar.Eu disse o seguinte: Sr. Governador, não vou gastar o seu tempo, que é precioso, nem o dos demais presentes, apresentando argumentos em favor do Reescalonamento Salarial, como fizeram os que me precederam, até porque, todos os nossos argumentos podem ser resumidos na seguinte frase: 'Polícia boa e barata não existe'.
Aliás, na reunião que mantivemos com o senhor, em 19/03/2007, no Palácio Laranjeiras, já tínhamos exposto nossos argumentos e o nosso pleito, traduzido no almejado Reescalonamento Salarial, reescalonamento esse que o senhor se comprometeu a implementar, pedindo apenas que apresentássemos uma forma de parcelamento, o que fizemos logo em seguida. E, até agora, nada…Aí o senhor diz que espera que a Polícia Civil confie no senhor, como o senhor confia na Polícia Civil…Lamento muito, Sr.Governador, mas não posso dizer que a Polícia Civil confia no senhor, pois, hoje, sua reputação entre nós, policiais civis, é a de que o senhor, com todo o respeito, é alguém que não honra promessas de campanha e compromissos de governo, e que, a exemplo de seus antecessores, vai fazer a 'política de segurança pública boa e barata', ou seja, vai comprar viaturas, pintar delegacias, e contratar novos policiais apenas para repor os que saíram, se aposentaram ou morreram…Alegar que o seu governo não interfere na atuação da Polícia Civil, Sr. Governador, me desculpe a franqueza, não nos impressiona, pois, assim agindo, o senhor não está fazendo mais do que a sua obrigação… A atuação da Polícia Civil sem interferência política, Sr. Governador, permite, por exemplo, que o meio ambiente seja devidamente protegido, ou que os sonegadores, muitos dos quais financiam campanhas políticas, sejam alcançados pela atuação da Delegacia de Polícia Fazendária, o que, inclusive, permitirá pagar melhores salários aos servidores, pois a arrecadação de impostos aumentará, não é verdade?Nesse momento, o Sr. Governador me interrompeu e disse 'Chao, eu não vim aqui bater boca com vocês', e eu retruquei logo em seguida: 'Com todo o respeito, eu também não vim bater boca, Sr. Governador, mas também não vim ouvir conversa fiada.'
Me desculpe a franqueza, Sr. Governador, mas não posso crer que o senhor, que até 31/12/2006 era Senador da República justamente pelo Estado do Rio de Janeiro tenha assumido a chefia do Poder Executivo desse mesmo Estado desconhecendo a sua real situação financeira.Isso não é crível, Sr.Governador, me desculpe a rudeza…Aliás, Sr. Governador, falando de finanças públicas, vou me permitir a audácia de lhe fazer uma pergunta que foi feita há cerca de dois meses atrás pela Delegada Jéssica, aqui presente, ao seu Secretário de Planejamento, Dr. Sérgio Ruy, também presente, em uma reunião na Secretaria de Planejamento, e que o mesmo alegou não saber responder: O senhor sabe quanto custa a Polícia Civil, Sr. Governador?
Dois por cento! É isso mesmo Sr. Governador, dois por cento, é o que custa a Polícia Civil inteira, ativos, aposentados e pensionistas, Delegados, Peritos e Agentes, para a folha salarial estadual.E o senhor alega que não há dinheiro para implementar o Reescalonamento dos Policiais Civis, Sr. Governador? E quer que nós acreditemos nisso?
Cremos que há dinheiro sim, Sr. Governador, o que não há é vontade política em gastá-lo com a Polícia Civil, e sua principal ferramenta, o policial.Sr. Governador, como bem sabe o Sr. Deputado Estadual Paulo Mello, líder do governo na ALERJ, em 2006, não foram quatorze os projetos de lei enviados pelo Poder Executivo à ALERJ versando sobre planos de cargos e salários, foram quinze, mas um deles, justamente o Reescalonamento Salarial dos Policiais Civis, foi retirado de pauta no apagar das luzes, por pressão de oficiais da PMERJ ligados ao Secretário Garotinho.
E, agora, novamente, fomos atrapalhados pelos mesmos oficiais da PMERJ, que, no afã de atenderem a interesses e vaidades individuais, mais uma vez interferiram em nosso pleito, com sua tão propalada pretensão de 'integração salarial', que, evidentemente, mascara a sua real pretensão, qual seja, o 'ciclo completo de Polícia'.
Se não foi isso, porque, na reunião mantida na Secretaria de Planejamento em 19/07/2007, após a nossa greve pré-Pan – que, aliás, nunca teve a pretensão de prolongar-se durante aquele evento, foi o próprio Governo do Estado que, açodadamente, assim afirmou para a Imprensa – foi dito pelo Sr. Secretário Sérgio Ruy que o Reescalonamento Salarial, com o índice 1.400 já estava acertado, e faltava apenas acertar o fator de cálculo, a ser decidido entre 0,59228 e 0,87?
Nesse momento, o Sr. Secretário Sérgio Ruy me interrompeu, dizendo que 'não é bem assim', eu não disse o que você está Sr. Governador, 'é papo reto', é 'bola ou búlica' dizendo que eu disse', mas eu retruquei dizendo o seguinte, Sr. Secretário Sérgio Ruy, eu não sei o senhor, mas eu não sou moleque, nem criança, eu sei e o senhor sabe muito bem quem está mentindo e quem está dizendo a verdade, aliás, a sua assessora, Elizabeth Fraga, aqui presente, também deve se recordar desse assunto, já que nós chegamos inclusive a discutir com ela, na sua presença, sobre o índice 1.400. Eu não tenho necessidade de mentir, já o senhor eu não sei…
Aí, os demais presentes à reunião, e que também estiveram na reunião em comento, de forma uníssona, corroboram o que eu disse, evidenciando quem estava mentindo…Acho que o Sr. Secretário Sérgio Ruy ficou chateado, pois levantou-se da mesa, e, como ninguém pediu para ele sentar-se de novo, ele saiu da sala, voltando depois de uns vinte minutos, ainda com jeito de chateado…Após a intempestiva saída do Sr. Secretário de Planejamento Sérgio Ruy, continuei minha preleção, dizendo o seguinte: Sr. Governador, a Polícia Militar não é problema meu, ela é um problema seu, eu não vim aqui falar dela, eu sou policial civil, e vim aqui falar da Polícia Civil. Então, vamos fazer o seguinte, eu não sei o senhor, mas eu fui criado em subúrbio – onde moro até hoje – jogando bola de gude em chão de terra, e lá havia um jogo chamado búlica, em que, em determinado momento, há um desafio, chamado 'bola ou búlica'.
Então vou fazer esse desafio para o senhor, Sr. Governador, 'é papo reto', é 'bola ou búlica': Não há dinheiro para pagar o Reescalonamento Salarial, Sr. Governador? Então implemente o Reescalonamento Salarial a partir de Janeiro de 2008, em parcelas, até Dezembro de 2010. Tá bom ou ta ruim? Não há dinheiro para isso, Sr. Governador? Como eu lhe disse, agora é “bola ou búlica”, o senhor é quem joga agora…Aí o Sr. Governador disse que precisava analisar, que nós deveríamos marcar uma nova reunião com o Sr. Secretário Sérgio Ruy, e eu retruquei dizendo ao Sr. Governador que com o Secretário Sérgio Ruy nada mais havia para ser dito, conversado, analisado ou estudado, agora era com ele, o Governador. Pedi a ele que consultasse quem achasse necessário, mas que nos poupasse de novas reuniões com quem não lembra o que disse antes… Pedi ao Sr. Governador que estudasse o assunto e transmitisse sua decisão através do Sr. Chefe de Polícia, que se encarregaria de comunicar o que ficasse decidido à categoria policial.
E assim ficamos combinados, segundo o Sr. Governador, em vinte dias, a resposta será dada, agora é aguardar para ver.
Mas, da minha parte, novas reuniões nem pensar, tenho mais o que fazer do que ouvir conversa para boi dormir…Ainda aproveitei o ensejo, no finalzinho da minha preleção, para 'elogiar' o Sr. Governador sobre sua manifesta admiração pela Democracia, externando a ele entretanto meu espanto com tal admiração, já que, conforme é público e notório, o mesmo, durante a greve, afirmou repetidas vezes à imprensa que iria cortar o ponto dos policiais grevistas, ato administrativo esse que, sem decretação de ilegalidade da greve dos policiais pelo Poder Judiciário fazia lembrar a Ditadura…Ele retrucou dizendo que eu como policial, tinha direitos, mas também tinha deveres…E eu retruquei dizendo que conhecia tão bem meus direitos quanto meus deveres, aduzindo ainda que, sobre o cumprimento dos meus deveres, melhor poderia dizer a minha folha de assentamentos funcional, ou, até mesmo, a Corregedoria de Polícia, a quem, mais uma vez, por meio do Dr. Gilberto, me coloquei à inteira disposição, como, aliás, sempre o fiz durante a minha vida funcional…Quem não deve não teme, não é mesmo?Quem fala a verdade não merece castigo, assim reza a sabedoria popular…Finalizei minha preleção apelando ao Sr. Governador pela não abertura de novo concurso, como anunciado por ele no início, já que, assim o fazendo, ele estaria tão somente admitindo mais 1.054 novos 'mendigos de distintivo'…Mas, aduzi, se o senhor quer mesmo contratar novos policiais civis, Sr. Governador, ao invés de abrir novo concurso, melhor o senhor faria se nomeasse os candidatos-alunos do concurso de Investigador Policial de 2005, até hoje sem previsão de nomeação, ou, atendendo a uma promessa de campanha, convocasse os Excedentes do mesmo concurso, cuja camisa o senhor vestiu, Sr. Governador…Dito isso, passei a palavra para o Delegado Reale, que falou rapidamente, apresentando ao Sr. Governador um documento onde estavam consignadas as reivindicações dos Delegados de Polícia, materializadas na pretensão equiparatória com Promotores de Justiça, e, após este, falou o Perito Élcio, pela Associação de Peritos, defendendo a proposta de emenda constitucional outorgando autonomia administrativa à Perícia. Por último, falou o Técnico Policial de Necropsia Alexandre, Presidente da ATAPOL, que também defendeu a proposta de transformação dos cargos de TPN e APN em Investigador Policial, com seis classes.
Logo em seguida o Sr. Governador ausentou-se, alegando que tinha um compromisso, e a reunião foi encerrada.
Seguimos então para a porta da Chefia de Polícia, a fim de contar aos policiais civis aqui reunidos o que havia acontecido na referida reunião, o que assim foi feito, como é de praxe, ressaltando, entretanto, um curioso e pitoresco detalhe: durante a nossa assembléia, identificamos um elemento, de cor escura, forte, estatura mediana, cerca de 35 anos, o qual, estrategicamente posicionado em frente ao Bar e Restaurante Massapê, se ocupava em disfarçadamente gravar, em pequenino aparelho dissimulado em sua calça, o que eu dizia durante a nossa Assembléia.
O tal sujeito, que se fazia acompanhar de um outro elemento, ambos prévia e devidamente fotografados, foi abordado, e, inquirido (enquanto isso, o outro elemento saiu de fininho, com medo de não sei o quê), admitiu ser policial militar, inclusive identificando-se, e afirmando ali se encontrar a mando do Quartel General da PMERJ, para 'monitorar' o nosso movimento, 'missão' essa que, aliás, admitiu já ter cumprido outras vezes.
Não acreditei no alegado por ele, já que conheço pessoalmente o Sr. Comandante da PMERJ, Cel. Ubiratan Ângelo, inclusive muito antes do mesmo exercer o comando da PMERJ, e acredito que ele não se prestasse a tão medíocre diligência, pois não precisa recorrer a esse tipo de expediente, mas, enfim, a quem interessa tal 'investigação'?
Aliás, com a devida vênia, mas 'investigação' feita por PM travestido de 'agente secreto' só podia dar no que deu, é ou não é?
Que trapalhada! Ambos os milicianos foram fotografados, sem que percebessem, e o miliciano que foi abordado, cujo nome preservo, pois o mesmo, afinal de contas, estava apenas cumprindo ordens, ainda me pediu desculpas, dizendo que também achava seu papel medíocre e ridículo, mas nada podia fazer, e ainda teve que se esconder, virando de costas, quando nós (eu, Picolo, Alexandre e outros), de galhofa, o abraçamos para sermos fotografados com ele, coitado, ele dizia 'meu chefe, por favor não faz isso não, assim o senhor vai me prejudicar com o meu comando', rsrsrsrs, até os atendentes do Bar Massapê riram dessa cena…Aos mais afoitos, ressalvo que o miliciano nada fazia de ilegal em sua, digamos assim, 'investigação', pois a Assembléia era pública, no meio da rua, e quando nós não queremos que alguém grave, escute ou saiba o que dizemos e fazemos, marcamos um 'café da manhã', um 'lanche da tarde', não é mesmo?Mas os mandantes dessa 'investigação' podiam ter se poupado o trabalho, já que, como é de praxe, tudo o que ocorre nessas 'reuniões' com o Governo do Estado é publicizado neste espaço…Mas, quem sou eu para criticar (ou entender) os mandantes dessa 'diligência investigativa secreta'?
Bom, depois do momento cômico, e agora?
E nós, como ficamos?
Agora nós esperamos mais um pouquinho (vinte dias, mais ou menos), e, depois, conforme for, 'é bloco na rua'…
No que depender de mim, ninguém, nunca mais, vai fazer campanha política em cima da Polícia Civil com a velha cantilena de 'nosso governo investiu muito na Polícia, compramos viaturas, reformamos as delegacias, treinamos os policiais, etc, etc, etc'
Polícia boa e barata?
Não existe, nem nunca vai existir…
Viva a Polícia Civil!
Francisco Chao de la Torre
Inspetor de Polícia Civil'".

E quanto a nós outros?

EUREKA!

Ontem à noite, fiquei perplexo ao observar declarações do secretário de segurança do RJ dando conta de que está convencido de que o aumento de ostensividade é o principal fator de inibição de delitos.
Declarações similares já foram feitas em circunstâncias distintas de tempo e local, já que agentes políticos outros pensavam da mesma forma. Ou será que ninguém se lembra da máxima de Paulo Salim Maluf de que "segurança pública é polícia na rua"?
Havendo cientificidade em tal afirmação, parece que a solução realmente se apresenta simplória, bastando que o governo Cabral instale no RJ um "estado policial", locando policiais (ou melhor, pessoas uniformizadas, fardadas ou com coletes) no maior número de logradouros e durante o maior tempo possível.
Vamos recrutar mais policiais militares, manter o apoio da Força Nacional, retirar o Exército dos Quartéis e colocar a CORE e toda a Polícia Civil para atuar (ostensivamente, é claro). Quem sabe não possamos também recorrer aos reservistas da paz?
Problema resolvido?
Lamento informar, mais uma análise profunda dos índices estatísticos do estado denotará que em verdade a mera presença policial tão somente DESLOCA as práticas delituosas, seja no que concerne às circunstâncias de tempo e local propriamente ditas, seja em relação às modalidades criminosas abarcadas.
Lembro de que há mais de quinze anos, aprendi que os fatores primários modeladores comportamentais são delimitadores importantes da resistência interna de cada indivíduo às solicitações globais para a prática de desregramentos sociais (vontade).
Quanto à oportunidade, é fato que a presença de um agente do estado tende a evitar que quem tenha vontade de praticar determinado delito, não o faça NAQUELE LOCAL, mas não parece ser determinante para que não procure outro.
Centrar a resolução do problema na ostensividade, ou seja, nos ombros da Polícia Militar, parece olvidar fator de fundamental incremento à prática de delitos, ou seja, A SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE, derivada da quase certeza estatística de que a autoria dos delitos praticados não será elucidada.
Ou será que o secretário fez tais declarações ciente de que os parcos índices de elucidação de delitos de sua polícia investigativa são fundamentados justamente nas prisões em flagrante delitos feitas, em sua maioria, pela polícia ostensiva? Que sem tais prisões, os índices estariam ainda mais próximos de zero?
Vou tentar ser otimista!
Talvez as declarações do secretário reflitam os primórdios de uma verdadeira política de segurança pública no RJ, fundamentada não apenas na busca de argumentos para tal, mas na operacionalização de ações que façam com que a polícia ostensiva possa permanecer mais tempo nos logradouros públicos e menos tempo nos próprios ocupados pela polícia investigativa.
Talvez o secretário de segurança tenha feito apenas um prelúdio argumentativo para que a polícia ostensiva, tal qual em seu estado natal, passe a carrear ocorrências de menor potencial ofensivo diretamente ao poder judiciário e a registrar as infrações penais sem flagrância, deixando a polícia investigativa menos assoberbada com meros relatórios e, portanto, mais apta a destinar seus recursos à elucidação de delitos.
Talvez o secretário de segurança passe mesmo não apenas a cobrar que sua polícia investigativa elucide delitos, mas a determinar, tal qual já ocorre em relação às infrações penais praticadas, seja dada TRANSPARÊNCIA em relação ao que deveria vir após tal constatação; falo dos ÍNDICES DE ELUCIDAÇÃO DE DELITOS NO RJ.
Quem sabe até busque que o governo Sérgio Cabral atenda à necessidade constitucional e prática de regulamentação da autonomia da polícia técnica no estado?
Ou será que a "política de segurança pública" do RJ é refém dos interesses classistas dos delegados de polícia civil?
A propósito, qual é a opinião do secretário quanto ao pleito de integração salarial entre as forças policiais do RJ?

01/10/2007

Suas verdades custaram seu emprego.

A jornalista Salete Lemos foi demitida em julho passado pela TV Cultura, onde era âncora do Jornal da Cultura. Após um comentário sobre o Plano Bresser, em que ela acusa os bancos de enriquecimento ilícito e sonegação de extratos, Salete saiu de férias e foi demitida.

"Um banco ameaçou tirar o patrocínio se eu não me retratasse no ar. A Cultura perdeu o compromisso com a liberdade editorial", afirmou Salete (Folha Online, 29/10/07).