02/10/2007

EUREKA!

Ontem à noite, fiquei perplexo ao observar declarações do secretário de segurança do RJ dando conta de que está convencido de que o aumento de ostensividade é o principal fator de inibição de delitos.
Declarações similares já foram feitas em circunstâncias distintas de tempo e local, já que agentes políticos outros pensavam da mesma forma. Ou será que ninguém se lembra da máxima de Paulo Salim Maluf de que "segurança pública é polícia na rua"?
Havendo cientificidade em tal afirmação, parece que a solução realmente se apresenta simplória, bastando que o governo Cabral instale no RJ um "estado policial", locando policiais (ou melhor, pessoas uniformizadas, fardadas ou com coletes) no maior número de logradouros e durante o maior tempo possível.
Vamos recrutar mais policiais militares, manter o apoio da Força Nacional, retirar o Exército dos Quartéis e colocar a CORE e toda a Polícia Civil para atuar (ostensivamente, é claro). Quem sabe não possamos também recorrer aos reservistas da paz?
Problema resolvido?
Lamento informar, mais uma análise profunda dos índices estatísticos do estado denotará que em verdade a mera presença policial tão somente DESLOCA as práticas delituosas, seja no que concerne às circunstâncias de tempo e local propriamente ditas, seja em relação às modalidades criminosas abarcadas.
Lembro de que há mais de quinze anos, aprendi que os fatores primários modeladores comportamentais são delimitadores importantes da resistência interna de cada indivíduo às solicitações globais para a prática de desregramentos sociais (vontade).
Quanto à oportunidade, é fato que a presença de um agente do estado tende a evitar que quem tenha vontade de praticar determinado delito, não o faça NAQUELE LOCAL, mas não parece ser determinante para que não procure outro.
Centrar a resolução do problema na ostensividade, ou seja, nos ombros da Polícia Militar, parece olvidar fator de fundamental incremento à prática de delitos, ou seja, A SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE, derivada da quase certeza estatística de que a autoria dos delitos praticados não será elucidada.
Ou será que o secretário fez tais declarações ciente de que os parcos índices de elucidação de delitos de sua polícia investigativa são fundamentados justamente nas prisões em flagrante delitos feitas, em sua maioria, pela polícia ostensiva? Que sem tais prisões, os índices estariam ainda mais próximos de zero?
Vou tentar ser otimista!
Talvez as declarações do secretário reflitam os primórdios de uma verdadeira política de segurança pública no RJ, fundamentada não apenas na busca de argumentos para tal, mas na operacionalização de ações que façam com que a polícia ostensiva possa permanecer mais tempo nos logradouros públicos e menos tempo nos próprios ocupados pela polícia investigativa.
Talvez o secretário de segurança tenha feito apenas um prelúdio argumentativo para que a polícia ostensiva, tal qual em seu estado natal, passe a carrear ocorrências de menor potencial ofensivo diretamente ao poder judiciário e a registrar as infrações penais sem flagrância, deixando a polícia investigativa menos assoberbada com meros relatórios e, portanto, mais apta a destinar seus recursos à elucidação de delitos.
Talvez o secretário de segurança passe mesmo não apenas a cobrar que sua polícia investigativa elucide delitos, mas a determinar, tal qual já ocorre em relação às infrações penais praticadas, seja dada TRANSPARÊNCIA em relação ao que deveria vir após tal constatação; falo dos ÍNDICES DE ELUCIDAÇÃO DE DELITOS NO RJ.
Quem sabe até busque que o governo Sérgio Cabral atenda à necessidade constitucional e prática de regulamentação da autonomia da polícia técnica no estado?
Ou será que a "política de segurança pública" do RJ é refém dos interesses classistas dos delegados de polícia civil?
A propósito, qual é a opinião do secretário quanto ao pleito de integração salarial entre as forças policiais do RJ?

01/10/2007

Suas verdades custaram seu emprego.

A jornalista Salete Lemos foi demitida em julho passado pela TV Cultura, onde era âncora do Jornal da Cultura. Após um comentário sobre o Plano Bresser, em que ela acusa os bancos de enriquecimento ilícito e sonegação de extratos, Salete saiu de férias e foi demitida.

"Um banco ameaçou tirar o patrocínio se eu não me retratasse no ar. A Cultura perdeu o compromisso com a liberdade editorial", afirmou Salete (Folha Online, 29/10/07).

30/09/2007

"O BOPE é tão famoso que a Polícia Judiciária Comum, criou um genérico, a CORE.".

Pequeno trecho de ampla e multifacetada análise do Corregedor Interno da PM do RJ, Cel Paulo Ricardo Paúl, acerca do filme "Tropa de elite":

"Homens treinados à exaustão física e psicológica, os integrantes do BOPE realizam as missões mais difíceis nas comunidades carentes infestadas pelo flagelo social do tráfico de drogas.
Eles possuem uma coragem e uma técnica extraordinária, sendo que mesmo nos confrontos armados mais acirrados, poucos disparos de arma de fogo eles realizam.
Não existe local inexpugnável para os integrantes do BOPE e inúmeras vezes eles resgataram guarnições dos batalhões operacionais e guarnições da Polícia Civil encurralados em comunidades carentes.
O BOPE é tão famoso que a Polícia Judiciária Comum, criou um genérico, a CORE.
O Soldado do BOPE é um herói e deve ser saudado como tal por todos nós, cidadãos brasileiros.
Aliás, preciso fazer um parêntese para lembrar a todos o que representa o Soldado, o herói nacional.
A história da humanidade é repleta de soldados (guerreiros) heróis, cultuados por seus povos, exemplos que sempre povoaram o imaginário dos jovens, que sonharam um dia ser como eles. Quantos jovens não sonham em ser um integrante do BOPE, com o seu símbolo da vitória sobre a morte, o crânio com a faca transpassada?
A cada batalha vencida, os exércitos sempre foram saudados pela população, que enchia as ruas para reverenciar aqueles que arriscaram a vida em defesa da pátria
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Posso estar enganado, mas o artigo parece refletir, pela primeira vez e ainda que nas entrelinhas, manifestação pública de integrante da cúpula da PM do RJ denotando o absurdo que é a existência da "tropa de elite" da polícia investigativa fluminense, a CORE (inteiro teor do artigo disponível no blog do próprio Cel Paúl: http://www.celprpaul.blogspot.com/).
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E por falar em manifestações, cabe registrar ainda que há pouco tempo, outro integrante da cúpula da PM do RJ, mais especificamente, o Diretor Geral de Finanças da Corporação, emitiu publicamente sua opinião sobre os reflexos nefastos do descaso do governo do estado em relação aos seus policiais militares (disponível em http://capitaoluizalexandre.blogspot.com/).

27/09/2007

INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA).

"Prezados Amigos,
A Área de Ações Voluntárias do INCA,
INCAvoluntário, está precisando de alimentos para compor a cesta básica dos pacientes ambulatoriais carentes atendidos pelo Instituto COM URGÊNCIA (O estoque está praticamente zerado). Todo mês são concedidas mil bolsas a esses pacientes, com os seguintes itens: 3 kg de arroz, 2 kg de feijão, 1 litro de óleo, 1 kg de macarrão, 4 latas ou pacotes de leite em pó integral, 1 kg de sal, 1 pct de aveia, 1 pacote de biscoito tipo cream cracker ou água e sal, 1 kg de fubá, 1 pct de Neston ou Mucilon ou Cerelon ou 3 cereais, maisena ou creme de arroz.
Os pacientes carentes, recebem a bolsa durante quatro meses seguidos para levarem para suas casas, enquanto estão em quimiotrapia ou radioterapia, em caráter ambulatorial, garantindo assim uma melhor eficácia do tratamento. Depois desse período, o benefício é direcionado a outro paciente. Os itens que compõem a bolsa são orientados pelo Serviço de Nutrição do INCA.
Na oportuniade informo, que quando o paciente está internado, o INCA, por meio do SUS, garante qualquer tipo de alimento ou tratramento.
Os alimentos doados devem ser encaminhados de segunda a sexta, das 8h às 17h, para a Bolsa de Alimentos do INCAvoluntário – na Rua Washington Luiz 35, Centro, Rio de Janeiro-RJ.
Antecipadamente agradeço o ato de solidariedade e reiterar o agradecimento da sempre pronta colaboração de todos.
Em nome dos usuários do INCAvoluntário
Um abraço
Emilia RebeloSupervisora do INCAvoluntário

Tel.: 21 39707831
Fax: 21 39707962". Grandes pessoas de jaleco rosa. Sempre prontas a auxiliar.

26/09/2007

Não nos apequenemos!

"Ante a escolha do novo Secretário de Segurança Pública, é bom lembrar que o cargo em questão não está inserido no rol daqueles que possuem prerrogativas militares. Logo, ele não terá direito à continência individual.
Ele não terá direito à continência de tropa.
Ele não terá direito à apresentação individual.
Ele não terá direito à presidência de solenidades militares, embora deva assumir posição de certo destaque, o que não se confunde, de maneira alguma, com a necessidade de que as honras militares sejam destinadas às pessoas que gozem de tais prerrogativas - E SÓ A ELAS.
Ele não terá direito à assunção de posição de 'sentido' quando do 'toque de SSP'. A propósito, ele também não deveria ter direito ao toque (basta verificar sua fundamentação, calcada no fato de que, à época de seu 'formidável' advento, o cargo era exercido por oficial do último posto, porém, inativo - que também não deveria merecê-lo, posto que o cargo é de natureza CIVIL, NÃO COMPORTANDO PRERROGATIVAS MILITARES).
É bom lembrar também que oficiais inativos não têm direito à continência de tropa e que a única autoridade civil, no âmbito dos poderes executivo, legislativo e judiciário fluminenses, que tem direito à continência é o GOVERNADOR DO ESTADO (SÓ ELE).
É claro que a continência é uma forma de cumprimento através da qual o militar PODE saudar os civis DE SUAS RELAÇÕES, mas, é óbvio, tal FACULDADE não é bastante para que nos olvidemos dos preceitos supra, regularmente aplicáveis na PMERJ por força do R-2, IG10-60 e da própria Lei n.º 443/81.
E, antes que seja tarde, é bom frisar que também não há como se atribuir as prerrogativas supra ao cargo mencionado, salvo através de modificação no R-2 (Decreto Federal); a não ser que vedemos a freqüência de oficiais generais às nossas solenidades ou então que 'determinemos' a tais autoridades militares que passem a observar a precedência HIERÁRQUICA por nós estabelecida em relação ao cargo de secretário de segurança.
É bom lembrar que absolutamente nada impede que qualquer militar ocupe o cargo de secretário de segurança, tenha o posto ou graduação que tiver (lógica que, embora também se aplique aos cargos civis expressamente enunciadas no R-2, não permite, nas hipóteses lá preconizadas, escusas quanto ao direito à continência, mesmo emanada de oficiais generais). Percebam, por obséquio, que 'uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa'. E que, como diz o aforismo, 'Deus está nos detalhes'. Tenhamos mais atenção aos mesmos.
Vale lembrar também que em algum lugar do arcabouço legal pátrio, 'lá no alto', está escrito que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer nada, senão ...
Portanto, também não apresentem platéia de militares ao secretário de segurança por ocasião de eventuais palestras ou reuniões. Adotem tal providência em relação ao militar de maior precedência e anunciem estar acompanhado da citada autoridade CIVIL.
VALORIZEM A FARDA, A CULTURA MILITAR e OS GALÕES.
Sejamos (e MOSTREMOS QUE SOMOS) PROFISSIONAIS; militares de polícia.
Façamo-nos respeitar institucionalmente, sem esquemas de bajulação pessoal, que NADA DE BOM agregam à Corporação, ainda que possam se prestar ao alcance de objetivos de natureza privada.
Logo, por favor, comecem CERTO, tenham CORAGEM e NÃO FAÇAM o que NÃO DEVE SER FEITO." (postagem feita neste blog em 18/11/06).

Eu confesso que pretendia postar foto constante do jornal "O Globo", de 26/09/07, logo abaixo do texto supra, mas fui advertido por minha consciência de que seria leviano fazê-lo, uma vez que não presenciei o contexto no qual foi tirada, não podendo precisar, por exemplo, se a mesma se deu no momento em que era executado o Hino Nacional.

Espero que não estejamos mais incorrendo no erro de destinar honras militares ao secretário de segurança (nem tampouco a quaisquer outras autoridades cujas circunstâncias se equivalham às citadas), por melhores que sejam as intenções, já que nenhuma delas suplanta o respeito que deve merecer o caráter militar de nossa instituição, sua história, suas tradições e a honorabilidade de muitos de seus antepassados.

25/09/2007

Reais interesses dos delegados de polícia civil do RJ.

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Data maxima venia, não parece haver grande relação entre os mesmos e o bem estar da coletividade, mesmo daquela que integra a própria polícia civil do RJ.

Remuneração atual dos delegados de polícia civil do RJ:


Processo n.º E-09/01649/1702/07, instaurado em face de pleito da associação de delegados de polícia do RJ, abrangendo, como era de se esperar, apenas os vencimentos dos próprios delegados de polícia:
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Remuneração dos delegados de polícia civil do RJ, após aprovação do Processo Administrativo supra:

Dá pra entender o motivo pelo qual delegados de polícia civil são contrários à integração salarial entre as polícias fluminenses, mesmo sabendo que a referida é uma tendência nacional, já aplicada, por exemplo, em São Paulo e em Minas Gerais?
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Qual será a posição de Regis Fichtner Velasco, Chefe do Gabinete Civil de Sérgio Cabral, a respeito do referido Processo?
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E do Secretário de Segurança, o também delegado de polícia José Mariano Benincá Beltrame?
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E a da "polícia de segunda categoria"?
Daquela que atende ao "190"?

23/09/2007

Relendo Maiakóvski.

"Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.".

22/09/2007

Quem responsabilizará os "investigadores"? E nós outros, quais (não) serão nossas próximas ações?

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Jornal O Dia, 22Set07

"Policial chamava bandido de patrão
Escutas telefônicas revelam reclamações de traficante
Rio - As investigações que levaram 57 policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) à prisão esta semana revelam a relação promíscua dos homens da lei com bandidos de duas favelas da região: Santa Lúcia e Parada Angélica. Interceptações telefônicas feitas mês passado, às quais O DIA teve acesso, mostram que o pagamento de propinas dava aos traficantes que controlavam as bocas-de-fumo naqueles locais o poder até de mandar que PMs retirassem uma patrulha que estaria atrapalhando a movimentação dos viciados.
A determinação é dada a um PM identificado apenas pelo apelido de Sonic: 'Olha só, deixa a Rua 7 dar uma fluída, cara, que a Rua 7 tá tampada (ocupada de policiais). Toda hora tão me tampando lá e eu não tô conseguindo trabalhar (vender drogas)', reclama o bandido, referindo-se a um dos pontos de venda de Parada Angélica, onde o policial estava dando plantão.As conversas relatam ainda vários nomes que faziam parte da lista de policiais. Num outro trecho gravado pela Polícia Civil, dois traficantes fazem uma espécie de checagem, para saber se os valores pagos a cada um estavam corretos. Os apelidos inusitados utilizados vão de um famoso chocolate e um herói mascarado até o maior do futebol argentino. 'Galak, 350; Zorro, 400; Velha Guarda, 400; Carrasco, 400; Máscara, 350; Falcão, 350; Tarzan, 350; Coelhão, R$ 400; e Maradona, 350. Total de R$ 3.300', avisa um dos gerentes da quadrilha do Comando Vermelho (CV).".
...
ALERJ QUER INTERVIR NA CRISE ENTRE AS POLÍCIAS
A crise entre as polícias Civil e Militar chegou à Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). As comissões de Direitos Humanos e de Segurança Pública da Casa devem realizar audiências para discutir o assunto. 'Está claro que há uma crise. A Polícia Civil vem invadindo atribuições da Militar e vice-versa', justifica o deputado Paulo Ramos (PDT).
À Comissão de Direitos Humanos, Ramos pediu a apuração do vazamento para a imprensa das fotos dos PMs do 15º BPM (Caxias) que teriam envolvimento com traficantes. 'Houve exposição dos acusados antes da conclusão das investigações', criticou Ramos, que pediu a convocação do comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Angelo, e do corregedor, coronel Paulo Ricardo Paúl.
...
A Polícia Civil não descarta que até 175 praças e oficiais do 15º BPM serão investigados no caso.".

Parece mentira, mas a regra legal reza que a aludida investigação deveria ocorrer sob segredo de justiça:
LEI Nº 9.296, DE 24 DE JULHO DE 1996.
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.

Cada vez mais, a julgar pela efusão "investigativa" da polícia civil, a "reunião secreta" parece fazer sentido.

Espero que agora, muito mais do que antes, nossa cúpula não abra mão de lutar - DE VERDADE, SEM RETÓRICA - pela integração salarial total entre a polícia militar e a polícia civil e que, fazendo valer compromisso vigorosamente assumido por Sérgio Cabral, seja quebrada, a bem da população, a absurdamente retrógrada e artificial reserva de mercado dos delegados de polícia para o trato das infrações penais de bagatela.

Espero que tenham coragem até mesmo para ENTREGAR OS CARGOS, a exemplo do que ameaçaram fazer os delegados que trabalhavam na secretaria de estado de segurança pública quando, na gestão Josias Quintal, a decisão de colocação em prática da lavratura de termos circunstanciados por policiais militares foi tomada.

A propósito, deveríamos ir um pouco mais além.
Considerando que, em verdade, cada OPM é uma delegacia de polícia judiciária militar, deveríamos criar delegacias especializadas para apurar, por exemplo, os homicídios praticados contra policiais militares e as ações criminosas organizadas.

Deveríamos parar de encaminhar infrações penais militares às delegacias de polícia.

Deveríamos, a bem da moralidade, abrir franca frente de atuação contra a contravenção penal do jogo do bicho, utilizando link com o Ministério Público para denunciar, em tempo real, quaisquer "óbices cartorários" encontrados para tal (ao menos enquanto continuarmos sem coragem para reportar tais infrações diretamente ao poder judiciário, através de termos circunstanciados).

Deveríamos exigir a imediata redução da ostensividade da polícia civil.

Deveríamos exigir o "aquartelamento" da CORE.

Deveríamos exigir o retorno dos "policiais militares" que hoje prestam inestimável auxílio à polícia civil ou, se possível, demiti-los.

Deveríamos buscar imediatamente uma maneira pela qual pudéssemos afirmar que nossos aspirantes passarão a ser, todos, bacharéis em DIREITO.

E deveríamos também fazer valer todos os pontos do seminário "A Polícia que queremos" e da própria "Carta dos Barbonos" que dependem - e não são poucos, não mesmo -
da própria Polícia Militar; que dependem tão somente de coragem para encarar o desafio de prover melhores condições de trabalho e de vida para a tropa.

21/09/2007

Eles são inocentes.

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De acordo com ordenamento constitucional pátrio, ao menos até que pese sobre os mesmos sentença condenatória transitada em julgado, eles são inocentes.
E se sua responsabilidade inconteste na prática de delitos cuja acusação lhes recaia for judicialmente comprovada, devem arcar com o peso da responsabilidade administrativa e penal, na medida que lhes couber e sem maiores delongas.
Não falo dos delegados de polícia Álvaro Lins, André Luiz Martins Di Rissio Barbosa, Célio Erthal, Carlos Pereira da Silva, Claudimar Lúcio Lugli, Alexandre Vieira, Eduardo Machado Fonte, Marco Aurélio Marcucci, Maurílio Oliveira, Júlio Rodrigues Bilarinho e José Januário de Freitas; nem tampouco dos policiais civis Roberto Cunha de Araújo, Renato Gabriel Alves da Silva, José Renato Barbosa de Medeiros, Paulo Roberto de C. Moreira da Silva, Rogério Delgado Carneiro, Cláudio Augusto Reis de Almeida, Luiz Carlos Rodrigues de Lima, Miguel Laino, Alcides Campos Sodré Ferreira, Ronaldo Rodrigues, Jorge da Silva Caldas, José Alexandre dos Santos, Maurício Alves Araújo, Ronaldo Gonçalves Montalvão, Armando Jorge Varella de Almeida, Waldenir Lopes Alcântara, Juarez Giffoni Hygino, Alexandre Cândido Pereira Almeida, Fernando Rodriguez Santos Salsicha e Luiz Carlos Rubem dos Santos.
Não falo também dos inúmeros “cidadãos comuns” alvo de acusações oficiais e mesmo das costumeiras “detenções para averiguação”.
Embora, é claro, a lógica ora exposta deva ser aplicada a todos, sem qualquer distinção, falo das dezenas de policiais militares ora acusados pela polícia civil do RJ e cautelarmente presos por deliberação judicial em face da suposta prática de ilícitos penais (gravosos, insidiosos e absolutamente incompatíveis com o exercício do mister profissional que lhes cabe).
Ainda que fosse possível que a investigação da qual derivam as imputações aos indiciados estivesse sendo conduzida pela Scotland Yard, pela NYPD, pelo FBI ou mesmo pela Guarda Nacional Republicana, mesmo assim, seriam inocentes até que a justiça deliberasse definitivamente em sentido contrário.
Ocorre que, faça ou não diferença, a investigação está a cargo de polícia cujos índices de elucidação de delitos com êxito, "secretos" desde julho de 2003 sob os auspícios do Instituto de Segurança Pública do governo Sérgio Cabral, não atingem sequer dois pontos percentuais.
De tal maneira, não parece de bom tom a excessiva exposição de que meros investigados têm sido alvo, fruto de inúmeras entrevistas concedidas justamente pelo responsável pela investigação da qual derivou, é verdade, sua prisão cautelar (decretada, é claro, pela justiça brasileira).
Por outro lado, do ponto de vista do êxito da investigação propriamente dita, é oportuno citar lição do delegado de polícia Paulo Henrique de Godoy Sumariva (SUMARIVA, Paulo Henrique de Godoy. O sigilo no inquérito policial . Jus Navigandi, Teresina, ano 9, n. 661, 28 abr. 2005. Disponível em: . Acesso em: 21 set. 2007.), segundo a qual não é possível “...imaginar uma investigação criminal sendo amplamente divulgada e acessada por todos...”, uma vez que tal publicidade “.... poderá causar transtorno irrecuperável na busca da prova processual.”. Finalizando sua exposição, o delegado pontua que:

“Com isto, nota-se a preocupação do legislador em proteger a intimidade, vida, honra e imagem do investigado ou indiciado. Assim, deverá a autoridade policial, na condução do inquérito policial, ater-se à colheita das provas em busca da verdade dos fatos, para que, em seguida, possa ser instaurada a ação penal, caso haja elementos indiciários para tanto.”.

Diante do exposto, mesmo certo (e justamente por isso) de que o urgente e eficaz expurgo de maus policiais (civis, militares - oficiais, praças e, principalmente, comandantes -, federais, rodoviários e ferroviários), de maus políticos, de maus militares federais, de maus juízes, de maus promotores, de maus servidores públicos em geral e, é claro, de maus cidadãos "comuns" (responsáveis por homicídios, por latrocínios, por roubos de veículos, de bancos, de transeuntes, de residências, em coletivos, etc) - confesso estar em dúvida quanto aos reais propósitos das sucessivas entrevistas concedidas nos últimos meses não apenas na hipótese que ora se apresenta, mas em outras de relativa similaridade, justamente pelos responsáveis pelas investigações em curso na polícia civil do RJ.

Parece incrível.

Que não nos esmeremos em exemplos dados por outros estados.
Que não compreendamos que há ferramentas muito importantes para a verdadeira luta institucional travada - não apenas aqui - para a prestação de melhores (e mais completos) serviços policiais.
Que não visualizemos que a "má formação" tem sido freqüentemente apontada como elemento de depreciação de nossa Instituição.
Que pareçamos ignorar que ainda vivemos em um país em que títulos têm grande representação no imaginário social, logrando repercussão nas mais diversas instâncias de poder, inclusive, no que toca à remuneração.
Que embora tenhamos a oferta das salas de aula de nossa academia para a freqüência a curso de direito, nossos cadetes, principal objeto da mesma academia, continuam a cumprir seu tempo de formação sem a obtenção curricular de tal bacharelado.
Que não percebamos que o ótimo não deve prejudicar o bom e que, sejamos sinceros, no contexto em que vivemos, pouca ou nenhuma será a diferença entre a formação superior genérica atualmente obtida e a formação superior genérica batizada, por exemplo, como segurança pública ou algo que o valha.
De tão incrível, chega a parecer proposital.

20/09/2007

"Cabral nomeia acusado de extorsão assessor".

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"A CPI do Narcotráfico fez acusações de extorsão a traficante.

Esse acusado foi nomeado por Sérgio Cabral, assessor especial.

Assisti na TV Alerj, por acaso, terríveis e irrefutáveis denúncias a respeito de nomeação feita por Sérgio Cabral. Cidinha Campos, com documentos na mão, mostrou nomeação feita na véspera (antes de viajar mais uma vez) pelo governador e publicada no Diário Oficial. A sessão era presidida por Jorge Picciani, 72 horas antes de romper com ele.
Como as denúncias eram seriíssimas, com provas, nomes e irregularidades, o presidente da Alerj afirmou: - 'Tenho certeza de que o governador NÃO SABIA DE NADA, se soubesse não faria a nomeação'. Todos, até mesmo os que apóiam o governo (o que fazer?), riram baixinho.
Paulo Mello, líder do governo, pediu a palavra, textual: - 'Tenho audiência ainda esta tarde com o governador, e a certeza de que ele NÃO SABIA DE NADA, se soubesse não faria a nomeação'. (Não precisava falar, bastava dizer o rotineiro 'faço minhas as palavras do presidente Picciani'). Concluiu: - 'Vou levar as denúncias da deputada do PDT e o governador tomará as providências cabíveis'.
Como é do seu hábito, estilo e tradição, Cidinha Campos mostrou os documentos, o nome do 'agraciado', as acusações, o cargo. Vejamos, para facilitar a leitura do cidadão-contribuinte-eleitor.


Nome do beneficiado: Fernando Cesar Jorge Barbosa.

Cargo: Assessor Especial da Casa Civil.
Acusação: traficante, praticante de extorsão, facilitação para a comercialização da droga, formação de quadrilha.
Acusador: CPI do Narcotráfico de Brasília.

O líder na Alerj, Paulo Mello, que disse que ia falar com o governador, não falou. Entregou os documentos ao presidente da Alerj, Jorge Picciani. Resposta pública? Até agora nenhuma.
Sexta, sábado, domingo e segunda-feira não há sessão na Alerj. Mas muitos deputados comparecem, trabalham em comissões, conversam. Picciani e Paulo Mello desaparecem de onde está Cidinha Campos. Continuam inflexíveis: - 'O governador NÃO SABIA DE NADA'. Até acredito, já que ele viaja tanto.
Mas PASSOU A SABER no Rio político (e em vésperas de ser eleitoral), não se fala noutra coisa. Me dizem: - 'Você não se surpreenderá, Sérgio Cabral provará que NÃO SABIA DE NADA'.
Enquanto Sérgio Cabral viaja, aconteceu o fato de 52 policiais militares serem presos por policiais civis. O governador, que não sabia de nada, disse na Itália: - 'Policial corrupto é pior do que o próprio bandido'. E continuou passeando. Sérgio Cabral devia saber que a prisão desses 52 policiais teve origem no mais antigo dos crimes: ABUSO DE PODER.
Essa viagem estava marcada, foi desmarcada há uma semana. Era Paris (para tratar do trem-bala), mudou para a Itália, tendo como justificativa o mesmo trem-bala. A segunda parte da viagem ficou intocada: encontro com Ricardo Teixeira na Suíça, para tratar da final da Copa do Mundo de 2014, portanto dentro de 7 anos. Como se vê, u-r-g-e-n-t-í-s-s-i-m-o.
PS - Ontem, no programa Haroldo de Andrade (um dos raros espaços livres da comunicação), Sérgio foi muito criticado. Lembraram que é a décima segunda viagem dele, em 8 meses e meio de desgoverno. Quer dizer: uma viagem e meia por mês.
PS 2 - Também foi assinalado: se o governador usasse na administração o prazer e a satisfação que gasta nas viagens, o Estado do Rio não teria trem com ministros assaltados."
(Tribuna da Imprensa online, 19/09/07).