23/06/2007

Alguns bons motivos...

para que a PM do RJ continue a não conduzir as ocorrências de menor potencial diretamente ao poder judiciário.

O jogo do bicho encontra terreno fértil para permanecer impune.

A eventual estrutura de corrupção vigente não se vê abalada.

Os cidadãos, marcadamente os de menor conhecimento, permanecem com dificuldades de acesso aos juizados especiais criminais.

As delegacias de polícia permanecem dedicando seus esforços a trâmites burocráticos cartoriais.

As delegacias de polícia permanecem a não elucidar crimes de maior potencial ofensivo praticados.

Integrantes da Polícia Militar, muito mal remunerados, permanecem ignorantes acerca da importância de seu real papel no sistema de justiça criminal.

A burocracia, o tecnicismo e a impunidade prosperam.

O enfrentamento continua.

Enfrentamento? Do quê?

Bons motivos? Para quem?

40 comentários:

Anônimo disse...

o senhor acerta em muitos pontos, mas erra quando se faz dono da verdade
se apenas apresentasse sua opinião sem sacanear os outros sua voz seria mais forte, seria levada mais a sério
o senhor sacanea as ações corajosas contra os bandidos mas acho que é uma maneira de se precaver de ter que botar a cara quando chegar a sua vez de comandar.
vivemos no inferno major e o senhor se apresenta como um anjo cheio de luz. Ainda bem que o senhor é oficial de gabinete. que Deus nos livre de um dia ser nosso comandante.

Anônimo disse...

Amigos! Chega de baixos salarios! GREVE JA! Apoie o movimento, aguardem o dia 29, a grande manifestação!

Anônimo disse...

acrescente:

remorso: sentimento de dor moral que antecede o arrependimento. Costuma acometer seres humanos impertinentes, mais dia menos dia, em razão de ações e omissões que cometem na vida, muitas vezes contra inocentes, antagonistas de idéias e destinatários irreprensíveis e naturais de seus amores, como esposa, filhos e pais, contra quem promovem todo tipo de traição e esquecimento, enquanto fazem-se pais do mundo que não lhes solicitou paternidade.

moralismo: concepção filosófica a partir de um a priori sustentado no egocentrismo e no solipsismo. É bastante comum nos espíritos que se crêem donos da verdade e senhores da razão.

Anônimo disse...

dia 29! o dia D! Greve já! chega de COMODISMO!

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Obrigado pelas manifestações.

Roberta disse...

Muito bom! A atualização voltou com tudo!! =)

Se o senhor me permite, coloquei um link no meu blog, tudo bem?

Atenciosamente,

Roberta Trindade
http://robertatrindade.wordpress.com

Anônimo disse...

Maj Wanderby, precisamos de um líder, não de um teórico. Aceita a função..

Samango.

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Por favor, Roberta.
Caso não se oponha, gostaria de fazer o mesmo.
E obrigado pela presença.

E grato a todos os demais pelos comentários.

Anônimo disse...

A sua ótica limitada não lhe deixa ver o fundamental: a
PM não conduz as partes envolvidas diretamente ao Poder Judiciário porque este não tem como montar um serviço de plantão em larga escala, tal qual na Polícia Judiciária. Acrescente-se, o judiciário não suportaria a enxurrada de novos processos a serem julgados com o procedimento legal de entrega dos envolvidos diretamente ao Juizado Especial. Repito: o seu enfoque do problema é limitado porque se funda na premissa de que a Polícia Civil é a grande culpada pelo fato da PM não proceder a TCO. Ora, a PM não tem função escriturária. Já é um absurdo a magistratura transferir a sua responsabilidade( de atender e julgar de imediato os casos da Lei 9.099)para a polícia civil. Repassar esse estado de coisas ao policiamento ostensivo seria um "plus" inaceitável de formalização de um procedimento que a lei diz ser informal ao máximo. O cidadão não esta obrigado pela lei dos juizados especiais a dar "aquela voltinha na DP", muito menos, de dar agora uma "voltinha no quartel".

Anônimo disse...

A PCERJ ja deu o exemplo. PARARAM O CENTRO DO RIO HOJE! Cade o nosso aumento?! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!! GREVE JÁ!!!

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Caro Anônimo
Seu comentário foi perfeito, uma vez que você percebeu o principal: o carreamento de tais ocorrências diretamente ao poder judiciário deve se dar através do termo circunstanciado.
Todavia, na esteira da lei, tal deve se dar sem comparecimento prévio a cartório policial algum, seja na PC, seja na PM.
Diante de sua argumentação e dos esclarecimentos ora prestados (o TC deve ser feito na Rua), tenho certeza de que temos mais um defensor da lavratura de TC pela PM.

Anônimo disse...

Para mim TCO=B.O. não faz diferença alguma o nome que se dê ao seguinte instrumento: breve anotação dos envolvidos, do crime em tese, para fins de entrega imediata de detido ao poder judiciário. Funciona com a mesma funcionalidade de um recibo de entrega de preso. Até ai concordamos. Mas frise-se: QUERER QUE A PM MONTE UM CARTORIO PRÓPRIO PARA ATENDER OCORRÊNCIAS POLICIAIS, GERALMENTE MEDIANTE NOTIFICAÇÕES, INTIMAÇÕES, ATOS FORMAIS, PARA REMESSA, UNICA E EXCLUSIVAMENTE DO DOCUMENTO, A POSTERIORI, AO PODER JUDICIÁRIO, TAL QUAL SE FAZ HOJE NAS DELEGACIAS É UM ABSURDO JURÍDICO, E EM TERMOS DE TÉCNICA DE POLICIAMENTO OSTENSIVO. Ora, se o seu discurso for: a PM quer que o poder judiciário mantenha os juizados especiais criminais funcionando em regime de plantão para atender de imediatos as ocorrências atendidas pelo policiamento ostensivo, sim, nesse caso concordamos. Mas, se o seu discurso é: a polícia civil faz o TCO, também a PM vai fazer, da mesmissa forma em atividades concorrentes. Neste caso, discordamos profundamente, por que os policiais civis vão adorar encaminhar o "osso" para os quartéis e vice versa. Nunca vejo menção desse adequação do
Judiciário a lei dos juizados nos seus textos.

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Caro Anônimo
Mais uma vez seus comentários são perfeitos e muito bem adequados ao ideário proposto, ou seja, à lavratura de TC pela PM.
Adequados sim, uma vez que a PM não fará o TC como a PC o faz (se é que o faz), já que os procedimentos cartoriais da PC em alusão à Lei 9099/95 não parecem encontrar respaldo no próprio texto legal.
Como dito, o TC é "breve anotação dos envolvidos, do crime em tese, para fins de entrega imediata de detido (sic) ao poder judiciário".
Concordamos ainda quanto ao fato de que o judiciário deveria estar melhor adequado aos objetivos da lei, quiçá, com plantões para o recebimento das ocorrências de menor potencial, mas entendo que ele, contrariamente ao que tem se dado no meio policial fluminense, mais preocupado com o tecnicismo e a preservação de nichos, está caminhando em tal sentido, todavia, em perspectiva não necessariamente presencial (com arrimo na tecnologia).
Espero ainda que, livre "do osso", a PC possa incrementar suas taxas de elucidação de delitos.
A propósito, você tem noção das taxas de elucidação de delitos da PC?
Em 100, quantos homicídios são realmente elucidados (APF à parte)?

Anônimo disse...

As taxas de elucidação dos crimes estão para a polícia civil na mesma medida que a taxa de delitos ocorridos por falta de prevenção estão para a polícia militar. A única diferença é que a mensuração do não apurado fica mais fácil de ser realizada na PC, quando, no caso da falha preventiva a mancha negra não permite fazê-lo com a mesma exatidão, privilegiando a falha preventiva.
Mas sua crítica nitidamente corporativa, emocional e até pouco tempo sem contradita, é claramente fanática e pretensiosa de uma posição que não ocupa. Por exemplo, de sua escrivaninha burocrática, como se pode entender a partir dos comentários dos seus comandados, já lhe passou pela cabeça que a maioria dos crimes violentos são praticados por pessoas que se homiziam em áreas de impenetrabilidade para plena investigação? O senhor acha que os investigadores conseguem realizar investigações presenciais, sigilosamente, nas favelas do Rio? O senhor acha que é possível realizar "campanas" nesses territórios ocupados por verdadeiros exércitos dos tóxicos? O senhor acha que para prender criminosos num quadro de absoluta desorganização e desordem, podemos fazê-lo como fazem os policiais de países desenvolvidos, usando recursos mínimos de força bélica, e de descaracterização de pessoal? Onde o senhor pensa que está, França? Agora uma coisa para o senhor. No ano passado em apenas uma delegacia de uma área crítica do Rio, 100(cem) mandados de prisão fora decretados por conseqüencia de investigação da DP, o senhor sabia, sábio major?
Olhe mais para vossa corporação. Não temos muito tempo para olhar para ela e criticá-la, como o senhor faz com a PC e seus profissionais.

Anônimo disse...

Sou pm e acho que a polícia civil padece com os mesmos problemas da pm,falta de vergonha na cara,de união,devemos sempre preservar as duas mas as propinas que enterram pcs,enterram os pms também,de todas as unidades que servi,eu conto apenas um(1)comandante honesto,na civil ídem,a gente trabalha ao lado de colegas que sabemos que são somente mercenários,nada mais que isso...

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Caro Anônimo
Confesso que persisto na dúvida quanto à mensurável taxa de elucidação de delitos da Polícia Civil.
Quanto às dificuldades alegadas para investigar, temo que não haja outra alternativa senão superá-las, ainda que com fórmulas criativas e inovadoras, sob pena de mantença da sensação de impunidade, o que, convenhamos, motiva a prática de delitos.
Não sei, mas talvez a utilização de tecnologia possa ajudar.
Quanto ao policiamento ostensivo, temo que, contrariamente às investigações eficazes, tenha o condão de tão somente deslocar a mancha criminal, do que decorre a constatação de que ainda que tenhamos um PM em cada esquina, crimes serão praticados, por exemplo, no interior das residências existentes entre as esquinas.
Lamento informar, mas de acordo com dados oriundos do próprio poder judiciário, o verdadeiro motor do sistema criminal, do ponto de vista da instauração de processos, não tem sido a polícia investigativa, mas a polícia ostensiva, através das prisões em flagrante por ela efetuadas.
Espero que um dia a polícia investigativa do RJ possa lograr ao menos pequena parcela da eficácia demonstrada pela Polícia (também investigativa e também do Brasil) Federal.
A propósito, a regulamentação da autonomia da Polícia Técnica não poderia ser algo útil à otimização das investigações?

Anônimo disse...

Caro MAJOR
Sobre dizer que "precisamos de fórmulas novas, miraculosas, cibernéticas etc", isso os "especialistas" vem dizendo. Especialistas, sabe, aquelas pessoas que dizem coisas óbvias, fazendo parecer que todos são estúpidos. Não gostaria que o senhor os repetiise, por favor. Diga o senhor o "como fazer". Dê o senhor as "fórmulas". Na direção que o senhor aponta, eu mesmo faço, e o senhor ou pensará que sou um gênio não descoberto, ou um estúpido, que não conseguiu transformar saber em fazer, quer ver? Olha como sou arguto, inteligente e sábio como o senhor: podemos usar escutas telefônicas para ouvir todo mundo, usaremos "o guardião" para isso. É um recurso que temos há muitos anos, sabia? Usaremos nossos informantes, eles nos dão informações importantes e desinteressadamente, por puro espírito público. Usaremos nosssos vastos recursos tecnológicos para identificação papiloscópica dos milhares de traficantes de drogas que nos dão livre acesso aos seus locais de homízio, às favelas, para colher suas impressões e outras análises. Usaremos todas as informações gentilmente passadas pelo COAF e com a contribuição expontânea da Polícia Federal. Quebraremos o sigilo bancário de "Tota", "Choque", Fabiano" e "Zé do Inferno" e os prenderemos por crimes contra o fisco. Contaremos com a socialização das informações dos PMs, como gostam de fazê-lo. Também, com a exemplar inviolabilidade dos locais de crimes que atendem, poderemos colher provas fundamentais para elucidar crimes e auxiliar na promoção da justiça. Faremos vigilância com recursos telecinéticos que temos e abundância no estado, com uso de satélites artificiais que nos oferecem informaçõe on line, que pagamos regularmente com verbas que sobram.
Vamos pegar todos os criminosos em casa, sem dar um tiro, ou no lazer, quando forem ao teatro, à missa, ao culto, ao motel, às festas familiares, aos congressos universitários, ao Maracanã, aos hospitais, às delegacias para prestar depoimento.
Major, o mal do crítico é não colocar-se onde julga haver o que pensa ver e imagina ser.

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Caríssimo Anônimo
Creio que esteja no caminho certo.
Acredito mesmo que até integre à polícia investigativa.
Mas, e se fizéssemos o contrário?
Se buscássemos pontuar o que a polícia investigativa, através de seus delegados, não deveria fazer?
Não deveria fomentar a utilização de viaturas ostensivas.
Não deveria fomentar a utilização de uniformes.
Não deveria possuir cursos de progressão em rapel.
Não deveria exercer tutela sobre a Polícia Científica.
Não deveria discriminar salarialmente sua tiragem.
Não deveria ser presa a arcaicas fórmulas cartoriais e tecnicistas.
Não deveria ser tão "brigona" em defesa dos interesses de sua casta de delegados.
Não deveria prestigiar a defesa dos interesses de delegados em detrimento de interesses públicos.
Não deveria guardar segredo dos índices de elucidação de delitos.
Não deveria "brigar" pela mantença de reserva de mercado quanto à lavratura de meros termos circunstanciados.
Não deveria empregar mais recursos públicos do que a polícia militar.
Não deveria fugir às suas responsabilidades investigativas, buscando transferir a "culpa" de sua inoperância para policiais militares.
Não deveria...
Ou deveria?
Data venia, o que o Sr acha?

Anônimo disse...

Polícia é acessório, por isso, sempre vai seguir a sorte do principal, que no caso, é o destinatário imediato do serviço policial: a justiça criminal.



O problema e a solução do problema não se encontra no serviço policial investigativo ou ostensivo. Mas sim na justiça criminal.


São raros os criminosos que não tenham pelo menos dois inquéritos tramitando na justiça.



Ora, em tese, a policia investigativa não deveria ter demanda, se o policiamento ostensivo estivesse cumprindo a sua função como deveria. Se a demanda da polícia investigativa é demasiadamente alta no Brasil é por que o policiamento ostensivo é muito falho. Assim, a quantidade de ocorrências criminais não sofre nenhuma interferência da atividade investigativa. O aumento ou diminuição desse numero deve ser imputado à faceta preventiva, que tem a sua funcionalidade medida justamente pelo numero de vitimização. Se este é alto, esta falhando a prevenção.


Em tese, à polícia investigativa não pode ser indicada como responsável pelo aumento da criminalidade uma vez que sua tarefa não é reprimir o crime, mas tão somente, informar à justiça criminal as ocorrências criminais, seus autores e suas cirscunstâncias.


É justamente ai, nesse ponto, que acho seu ponto de vista distorcido: a PM deixaria de fazer a repressão preventiva e imediata da atividade criminosa para executar essa tarefa informativa da justiça criminal mediante TCO, típica da polícia investigativa.



Utilizando o critério do chutômetro, apenas para fins de agurmentação, a cifra negra da polícia civil atualmente no Brasil não deve chegar, no geral, a 4% de elucidadação dos crimes registrados nas delegacias. Claro que existem variações para cada tipo penal.

É uma taxa alta de não esclarecimento. Essa taxa só é melhor do que a cifra negra da polícia militar. Ora, esta não apresenta nas delegacias, mediante prisão em flagrante, sequer 0,1% (um décimo de porcento) dos fatos criminosos ocorridos na sociedade.


Entenda-se: o papel da policia civil é elucidar, no sentido de comprovar a existência do fato criminoso e indicar os seus possíveis autores.


A condenação dos criminosos e permanência dos mesmos em estabelecimentos penais nada tem a ver com o trabalho da polícia, quer investigativa ou ostensiva.



A cifra negra da PM deveria ser mensurada pelo número real de ocorrências criminosas geradas numa determinada área. Não existem formas seguras de se calcular esse número, mas, de forma indireta, pode ser inferido por outros registros públicos, tais como: conselhos tutelares, hospitais, atendimentos em clinicas particulares, consertos em oficinas, afastamentos no trabalho, etc...

LOgo, não tem nem como se comparar a cifra negra da policia civil com a da PM porque uma é certa: percentual de elucidação de ocorrências registradas e outra é incerta: vitimização numa determinada área.


Enfim, retornando ao ponto inicial, todo essa atividade policial não terá sentido algum se a justiça criminal não der alguma conseqüência ela. Se os presos não são condenados e logo retornam ao convívio social, toda a repressão e toda a investigação de nada valem.

Anônimo disse...

Claro e objetivo.

Anônimo disse...

Além disso, o senhor me faz perguntas e eu respondo:

Primeiro:

Viaturas são meios de transporte. Vosso conceito parece ser outro sobre elas. Talvez o senhor pense que, em carros descaracterizados, nós teremos melhores chances de realizar campanas à moda americana. Será que é isso? Será que é assim que o senhor pensa? Se for, perdoe-me, mas acho que andou assistindo filmes policiais em excesso, daqueles que uma dupla passa todo tempo insuspeita dentro de um carro insuspeito, seguindo desavisados suspeitos. Major, se mesmo sendo nossas viaturas ostensivas, exclusivas para uso em serviço, alguns tiras fazem mau uso delas, imaginem se as tivéssemos sigilosas, descaracterizadas. Sabe o que aconteceria? Seríamos como a PM, com seus oficiais passeando com carros do estado para cima e para baixo, nos fins de semana, com a família. Além do mais, o senhor acredita que os carros de p-2 dos quartéis não são conhecidos das quadrilhas? O senhor já trabalhador na rua, Major? Talvez o senhor não saiba, e até entendo, mas, até os carros particulares dos policiais são conhecidos dos vagabundos, sabia? Não? Rua, major. Só a rua vai ensinar essas coisas ao senhor.

Em segundo:

O senhor conhece a realidade do Rio de Janeiro, Major? Conhece? Não parece. Major, para vosso conhecimento, os bandidos principalmente os do tráfico, usam as mesmas armas da polícia, e são em tal número, e têm tais comportamentos, que confundem e dissimulam. Quando botamos roupas uniformes, nosso objetivo é facilitar a identificação em ação, tanto interna quanto externa, para a população. É claro major, que na vossa visão as situações são estanques. Uma polícia uniforme e uma polícia desuniforme. Uma polícia todo mundo igual e uma polícia todo mundo diferente. Vossos conceitos de polícia administrativa e judiciária, são indissolúveis de visibilidade e invisibilidade. A questão está aí, o senhor está preso à miopia promovida pelo vosso ponto de vista burocrático. A realidade é mais do que vossa visão alcança, Major. Identificação a partir de roupas iguais, ou roupas uniformes, não é a mesma coisa que usar uniforme com divisas, como as vossas, símbolos da vossa distinção militar. É a lógica contrária daquela que usamos ao esconder nossas carteiras de identidade, entende? Há hora de se revelar e hora de se ocultar, e se o senhor fosse um policial civil, de campo (claro), entenderia do que falo. Mas, o senhor procurou saber como prendemos Miltinho do Dendê? Onde foi e com que estratégia? Foi outra, não foi? Adequada à situação, não foi? Sabe como estavam trajados os policiais que o prenderam? Vê major, é um pouco mais do que o senhor consegue entender.

Em terceiro:

Major, o senhor está sugerindo que aquele negócio de ficar descendo corda, que a PM também faz, tem a ver com técnicas de polícia administrativa ou judiciária? O senhor está sugerindo que a polícia entende aquilo como um método judiciário? Me diga, o senhor o entende como um método administrativo? Major, aquilo não pertence a nenhum dos dois mundos, privativamente. Aquilo é uma forma que as pessoas inventaram para escalar montanhas, e que alguns, nas duas polícias, acham que podem ajudá-los a entrar num prédio, ou coisa parecida. Será que estou entendendo mal, mas o senhor está querendo dizer que o rapel da PM é legal e o da Civil é usurpação de função? Talvez, não sei, até eles façam aquilo para ajudá-los a trabalhar o medo, os receios. Dizem que montar cavalos nos ajuda a robustecer a coragem. O senhor provavelmente irá nos criticar se começarmos a montar também. O senhor gosta de cavalos?

Em quarto:

Sobre “tutela”, “discriminação”, “fórmulas arcaicas cartoriais”, “interesses de casta”, “reserva de mercado”, “fuga das responsabilidades, “transferência de culpas”...
Major, o senhor deve estar diante de um espelho, não está?
Ora Major, quer polícia mais corporativista que a PM, indiferente aos seus? Vocês tratam seus homens como lixo, deixam-nos sem fardamento, sem calçados, sem equipamentos, sabemos que usam o dinheiro da comida da tropa para consertar gabinetes e o senhor vem me falar de discriminação? Os senhores têm um regulamento disciplinar imoral, arcaico, atrasado, que trata oficiais e praças de modo diferentes, têm boletins diferentes para proteger sua casta e vem falar de casta na Civil? Reserva de mercado? Os senhores têm um serviço de perícia entrando em todos os lugares, seduzindo o judiciário para sua utilização, e vem me falar em reserva de mercado?
Major, olhe para si e veja quem foge à responsabilidade ao se esconder nos gabinetes, porque os gestores não têm as mesmas obrigações dos praças. Olha, são os senhores que dizem isso, estou só repetindo o que está nos blogs de vocês!
Major, o senhor me pergunta o que eu acho. Eu acho que o senhor está perdido no labirinto da autosublimação. O senhor me faz lembrar daquela pergunta: se dez homens fazem um muro em dois dias, dez mil homens o farão em quanto tempo?
Há mais entre a teoria e a prática do que o senhor supõe, meu prezado crítico de tudo e de todos.

Anônimo disse...

Disse tudo...........

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Caríssimos Srs Anônimos
Inicialmente, externo minha gratidão pelas esclarecedoras ponderações (do primeiro) e pelo reforço das mesmas (pelo segundo).
Faço votos que a aparente competência traga reflexos ao mister investigativo que provavelmente lhes cabe.
Todavia, aproveitando a oportunidade que se ofereçe, pretendo abusar um pouco mais de seus conhecimentos profissionais, pois continuo curioso quanto aos índices de eficácia da polícia investigativa.
Minha ignorância, miopía e falta de vivência impediram que pudesse encontrar respostas nas inúmeras bem escritas linhas antecedentes para algumas questões.
Ainda não sei qual o percentual (ainda que médio) de registros feitos em DP que culminam na instauração de IP.
A propósito, qual é o percentual de IP relatados em dado período em relação aos instaurados?
Qual é o percentual de IP instaurados que culminam com a identificação de autores de delitos?
Qual é a representatividade das infrações de menor potencial ofensivo em relação à demanda que se apresenta à polícia investigativa?
Qual é o impacto (em termos numéricos) do advento das Delegacias Legais para o incremento (ou não) da elucidação de delitos?
Qual é o tempo médio de permanência da polícia ostensiva nas delegacias para a confecção de meros registros?
Por que a polícia ostensiva também não registra ocorrências (que não comportem flagrante) sem a necessidade de comparecimento às delegacias ou mesmo batalhões?
Por que as taxas de elucidação de delitos somente foram divulgadas uma única vez, em julho de 2003?
Qual o impacto da ostensividade da polícia investigativa para a elucidação de delitos?
Por que há tamanha discrepância entre os salários dos delegados e da tiragem, chegando a muito mais de 100 % em alguns casos?
Por que a Polícia Técnica ainda está atrelada à Polícia Civil, contrariamente ao disposto na Constituição Estadual?
Rogando escusas pela exploração dos vastos conhecimentos demonstrados, também não entendi por que a polícia investigativa deve montar cavalos.

Anônimo disse...

SR MAJOR,os coronéis da pm ganham 700 por cento a mais que os soldados que estão sendo assassinados na rua todos os dias.A margem na civil é menor,bem mais justa apesar dos detetives não ganharem bem.

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Caro Anônimo
O fato que traz à luz denota o quão absurda é a discrepância ora vigente em relação à remuneração das polícias estaduais no RJ, marcadamente no que toca ao salário do Soldado.
Tenha mente que mesmo recebendo tal cifra (que representa cerca de R$7000,00 brutos), um coronel está 165% aquém (em termos remuneratórios, é claro) de um simples delegado de polícia civil, o qual percebe mais de que 1500% do que recebe a ponta da linha da segurança do estado, ou seja, nossos soldados de polícia.

Anônimo disse...

Major,

Vejo que o senhor é um homem de muitas perguntas. Junto com as muitas acusações que faz, constrói um intrigante caleidoscópio que reproduz vossas ânsias e personalidade.
Como as perguntas continuam, e vendo que estão mais agressivas, vou respondê-las com a clareza possível, a fim de não permitir dubiedades.
Eu suponho que o senhor deva ter uma formação em Direito. Isso está escrito na vossa linguagem. Também é possível enxergar que o senhor argumenta pela incapacidade do outro, ou seja a Polícia Civil. Aí já não vejo ciência, mas motivo para estudo pela ciência, talvez a psicologia.
Nas suas inquirições o senhor usa a fórmula da demonstração: “o que”, desprezando o “porque” .
Mesmo sendo uma estratégia que revela reflexão, ela solicita cuidado, pois, depois de um tempo de insistência, pode fazer parecer falta de percuciência.

E repondendo;

Primeiro:

O senhor continua batendo na tecla fria da apuração dos delitos. Influenciado, possivelmente, pelas realidades de países com temperaturas sociais diferentes, argumenta com base na história deles, sem citá-los. Mas o senhor sabe, sei que sabe, que as taxas de elucidação naqueles países são altas porque lá têm um número reduzidíssimo de delitos, além de procedimentos de POLÍCIA OSTENSIVA EFICIENTES que propiciam tal status. É simples Major: POUCOS CRIMES = FACILITAÇÃO DA APURAÇÃO DOS MESMOS
E também: recursos ótimos, verbas, ambiente externo de para investigação transitável e seguro etc

Segundo:
Divulgação da taxa de elucidação? Ora major, o senhor já ouviu falar em divulgação da taxa de crimes julgados pelo judiciário? Taxa de constatação de erros médicos? Taxa de faltas e atrasos dos professores nas universidades públicas?
Com quem o senhor aprendeu isso, que divulgar taxas com números frios, quantitativos mas não explicativos ante a incomensurabilidade de vetores, irá dar transparência e informar da eficiência de um órgão? Foi com o Garotinho e sua trupe de “especialistas” comandados por Luiz Eduardo Soares?

Terceiro:

Quem falou de impacto da ostensividade para elucidação de delitos?
Não, Major. Não falei isso. O que disse, foi que o senhor está equivocado sobre os carros descaracterizados serem ferramentas lógicas para investigação. E o senhor se ofende se digo que vossa visão é míope?

Quarto:

Vou me permitir perguntar. - Vossa polícia técnica (sei que a PM a tem) é independente? Está desatrelada do comando geral?

Quinto:

Quem deve lhe solicitar companhia intelectual sou eu, um insignificante trabalhador, que, para a própria sorte, vos descobriu a tempo de partilhar a visão de mundo, particularmente da polícia civil, vosso alvo, vossa mirada incessante.

E sobre cavalos, deixa pra lá. Vamos falar de rapel.

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Meu caro colocutor
Obrigado pela atenção dispensada e pela freqüência de visitação ao meu modesto blog.
Sou míope.
Não gosto, mas sou.
É verdade.
Tenho recordação de que o médico alegou que minha miopía mostraria algumas vantagens com a chegada da idade, quando ao menos poderia dispensar a utilização de óculos para leitura, o que não deixa de ser um alento.
Se minha memória não me engana, o Sr teria buscado responder aos quesitos por mim formulados.
Perdoe minhas limitações, mas não consegui perceber as respostas.
Por que o Sr não o fez?
Com absoluta sinceridade, digo ao Sr que tenho inúmeras reservas quanto aos resultados do trabalho não apenas da polícia investigativa, mas também da ostensiva.
Talvez uma das principais resida no fato de que a despeito de seu lema "servir e proteger" e da realidade revelada pela demanda com a qual se depara, não utiliza instrumentos adequados à mediação célere e eficaz de conflitos, assoberbando a Polícia Civil e, de tal maneira, criando óbices ainda maiores à realização de seu mister investigativo.

Anônimo disse...

Vou reproduzir aqui as palavras exatas do seu ensaio de “mea culpa” do finalzinho do ultimo post : “... a despeito de seu lema "servir e proteger" e da realidade revelada pela demanda com a qual se depara, não utiliza instrumentos adequados à mediação célere e eficaz de conflitos, assoberbando a Polícia Civil e, de tal maneira, criando óbices ainda maiores à realização de seu mister investigativo.” Essas palavras deveriam ser ensinadas em todas as academias de polícia, porque guardam em si o supra sumo de tudo aquilo que as polícias militares insistem em não enxergar: O DESCOMPASSO ENTRE A REALIDADE SOCIAL ATUAL E OS MÉTODOS VIGENTES DE POLICIAMENTE OSTENSIVO. Descompasso esse que se revela nas palavras: MEDIAÇÃO DE CONFLITOS. Ora, sendo o Sr. um militar de longa experiência deve saber que os termos MILITAR e MEDIAÇÃO são antagônicas e excludentes entre si. A lógica militar impera quando não há mais mediação e esta impede a utilização da via militar. Isso é basilar, o Sr. sabe. Ora, depois da lei 9.099 de 95, a premissa maior do combate a criminalidade de menor potencial ofensivo é a mediação. Mas, como desenvolver concretamente essa “voluntas legis” se o aparato estatal empenhado nesse combate se funda na premissa do militarismo, com total enfoque no enfrentamento? Estamos nesse impasse: os métodos de policiamento ostensivo, todos eles, são ilegais e inconstitucionais, porque se fundam numa premissa dissociada da constituição (fundada na dignidade da pessoa humana) e das leis penais. Vou dizer em termos práticos e entendíveis: não existe mais nenhum amparo para o procedimento padrão: enquadra, revista, algema, xadrez da vtr, condução a delegacia, xadrez da delegacia, quatro a cinco horas de espera, formalização de TCO, liberação sob compromisso de comparecer ao JEC. Esse modo de agir secular já não tem mais razão jurídica de ser, mas esta tão impregnado na cultura policial militar que se pereniza como uma ilegalidade consentida, permitida, tolerada e incentivada por aqueles agentes estatais que tem o poder de combatê-la: Policia civil, ministério publico, justiça criminal, OAB, Defensoria Pública, conselhos tutelares, Direitos Humanos, etc...

Sem mais delongas, vou direto ao clímax: o policiamento ostensivo deve ser desmilitarizado.

Anônimo disse...

Digo uma coisa como pm,um delegado é bem mais educado que um oficial de polícia,a pmerj é um aborto,agora vem esses oficiais qerendo dar um de amiguinho da tropa....PEC21 neles....cadeia para todos,oficial é um monarca de estrela cadente.....

Anônimo disse...

Caro Major

Li que o senhor está ativando a moderação.Fique tranqüilo. Não vou mais comentar em seu blog. Diferentemente do senhor, não quero alimentar nenhum ódio ou rancor, seja pessoal ou entre nossas Corporações.
Também diferentemente do colega ( mesmo concordando com ele na maioria dos pontos), não vejo entraves para a PM lavrar os autos cicunstanciados para cumprimento da 9.099.
Todavia, há algo mais importante, pois estamos vivendo um momento de grandes dificuldades financeiras e devo respeitar vossa coragem, já que, pelo que entendi irá liderar um movimento na PM.
Encerro aqui lamentando vosso entendimento linear e de superfície quanto ao todo, mas reconhecendo que o senhor tem seu valor, pois luta pelo que crê.

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Caro Anônimo
Tem minha palavra de que ficarei honrado se o Sr persistir no diálogo, marcadamente no bom nível que creio que estamos mantendo.
Rogo escusas pela moderação, mas tive que fazê-lo por questões que absolutamente nada têm a ver com 9099, nem tampouco com divergências acerca de modus operandi das polícias estaduais.
A propósito do clímax ao qual fez referência, não apenas concordo, como pretendo alargá-lo.
Estou certo de que não somente o policiamento ostensivo, mas também o investigativo, deve sofrer imediata desmilitarização.
Pode soar estranho o que digo, mas não faço referência ao militarismo como modalidade de administração pública, mas como ethos de atuação, do ponto de vista ideológico.
Concordo que PM e PC devam olvidar a recorrente e ineficaz ótica profissional calcada no combate ao fato social crime (guerra perdida), passando a concentrar seus esforços, respeitados os modelos de administração pública de cada qual, na satisfação da sociedade.
Precisamos mudar nossa clientela principal e creio que as instituições possam trabalhar de forma séria e profissional em tal sentido, com ganhos para a sociedade.
Acredite ou não, o Sr mesmo fez referência à uma das principais motivações para que a PM passe a lavrar termos circunstanciados.

Anônimo disse...

Com moderação não há igualdade de armas.

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Armas?
Estamos em guerra?
Contra quem?

Anônimo disse...

Sr major,palavras não são armas?

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Touché!

Anônimo disse...

Que as usemos para o bem de todos!

Wanderby (wanderby@oi.com.br) disse...

Certamente!
Muito obrigado pelo insight que acaba de proporcionar à nossa causa.

Anônimo disse...

Sr major perdoe-me por concordar com o debatedor da PC, mas ele tem razão. Não há mais espaço para uma polícia militarizada. Os tempos mudaram muito desde o VIDIGAL.
Quem( ou o quê ) será o responsável pela decadência da Corporação? Será que foi a vontade de permanecer o status quo mesmo com o advento da Nova carta magna?
Duro é recalcitrar-te contra os próprios aguilhões major!

Anônimo disse...

Major nunca entendi essa dicotomia de ser policial e militar, na Bíblia sagrada está escrito que ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo sem que desagradasse a um ou a outro.
Veja que saí do CFAP sabendo fazer continência, ordem unida a pé firme e outras coisas atinente a militar, todavia, desconhecia coisas elementares de Polícia.

Anônimo disse...

Briguinha boa esta da PC x PM. Espero que sejam proveitos os ideais para ambas as Corporações, e, que a união das forças se mova não só contra a bandidagem como também contra a corrupção corporativa, este sim, o maior problema existencial entre as Corporações.