07/06/2007

A "política de segurança" do RJ e mais de seus resultados.

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"Cabral diz que enfrentamento da criminalidade é um caminho sem volta
O Globo

RIO - Questionado nesta manhã sobre rotas de aviões que estariam sendo modificadas por causa de conflitos nas favelas do Rio, o governador Sérgio Cabral disse que o enfrentamento da criminalidade é um caminho sem volta. - Vamos continuar o enfrentamento. Não há outro caminho. Não há volta. Nossa decisão de governo é de combate à criminalidade. Há informações de que o tráfico vem se fragilizando em várias áreas - afirmou o governador. Apesar disso, Cabral fez questão de dizer que os Jogos Pan-Americanos serão de paz e sucesso. Na próxima semana, o chefe do Estado Maio do Ministério da Defesa virá ao Rio para fechar uma parceria com o Exército para apoio durante o Pan." (Extra Online - 06/06/07)

"PMS FERIDOS NA PENHA E EM BANGU

Um policial militar foi baleado ontem durante confronto com traficantes em acesso à Vila Cruzeiro, na Penha. O soldado Wagner Luís de Almeida, de 31 anos, do 16º BPM (Olaria), levou tiro na coxa direita. Com mais esse caso, sobe para 62 o número de feridos desde o início das operações nas favelas do bairro, dia 2 de maio. O conflito ocorreu de manhã. Um carro do 16º BPM patrulhava os acessos à favela quando foi atacado. Os disparos foram feitos por traficantes posicionados na parte alta da Rua A. Houve confronto e Wagner acabou atingido. Socorrido no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, ele foi transferido para o Hospital da PM, no Estácio. Em Bangu, dois PMs e um bandido ficaram feridos durante tiroteio no início da tarde na Vila Aliança. Policiais foram ao local checar denúncia da existência de barricadas e sofreram ataque. Baleado, bandido que não foi identificado está internado no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. Feridos de raspão, dois PMs foram liberados. Na ação, uma pistola e três bombas caseiras foram apreendidas
." (O Dia Online-07/06/07)

"Guerra mata oito pessoas

Outras seis ficam feridas em confronto entre polícia e traficantes da Favela do Jacarezinho. Seis armas foram apreendidas, entre elas pistola usada por ‘Robocop’, superpolicial do cinema
Rio - Oito pessoas morreram e seis ficaram feridas ontem de manhã durante operação da polícia na Favela do Jacarezinho. Houve intensa troca de tiros e traficantes chegaram a lançar oito granadas. Seis delas explodiram e feriram três PMs do 3º BPM (Méier). A Polinter foi ao local cumprir quatro mandados de prisão contra traficantes, mas não conseguiu. Agentes apreenderam drogas, munição e armas — uma delas a pistola Desert Eagle, de fabricação israelense, semelhante à usada pelo personagem do filme policial ‘Robocop’.
As equipes que estavam no Jacarezinho participavam de duas ações diferentes. Agentes da Polinter tentavam prender Alexsander de Jesus Carlos, o Choque, chefe do tráfico de Manguinhos; Sandra Helena Ferreira Gabriel, a Sandra Sapatão, da quadrilha do Jacarezinho; Márcio Alexandre Cardoso de Silos, o Snoopy, que estava escondido na favela; e bandido identificado apenas como Bili Cão. A polícia tinha informações de que o bando participava de reunião para dividir a droga entre as bocas-de-fumo. Já policiais do 3º BPM faziam operação de combate ao tráfico. Quando perceberam a presença de bandidos fortemente armados, as equipes se uniram e começou a troca de tiros. Segundo a PM, algumas pessoas correram para casa na Rua Amaro Rangel, que servia de esconderijo. O imóvel foi cercado e os homens, baleados. Os oito feridos no confronto foram socorridos e levados dentro do Caveirão para o Hospital Salgado Filho, no Méier. Eles morreram ao chegar à unidade. Há suspeita de que um dos mortos seja o Snoopy. Parentes entraram em desespero ao reconhecer os corpos de Jorge Vinícius Freire da Silva, 19 anos, Juliano Rodrigues de Lima, 17, e Wagner Luiz Ferreira França, 25. Nenhum dos três tinha passagem pela polícia. Até a noite de ontem, os outros não haviam sido identificados.

O sargento Antônio Carlos Pereira, 43, foi ferido por estilhaços de granada na barriga e na axila. Seu estado é grave. Os outros dois PMs passam bem.
No confronto, agente da Polinter levou tiro de raspão na cabeça. Dois moradores também foram feridos. José Ferreira, 65 anos, foi baleado na mão e liberado após ser socorrido. Marinaldo Mendes Rodrigues, 32, foi atingido na barriga e deixado atrás do Salgado Filho por ocupantes de um carro." (O Dia Online-07/06/07)

"Vila Cruzeiro: Futebol e bala perdida

Associação promove torneio. Moradora é atingida em casa
Rio - Enquanto acontecia o Torneio pela Paz na Vila Cruzeiro, na Penha, mais uma moradora da comunidade foi vítima de bala perdida. Havia policiais nos acessos à favela, e um blindado chegou a circular próximo ao campo de futebol, mas não houve confronto. No início da manhã, pouco antes dos jogos, traficantes soltaram fogos e deram tiros para o alto, festejando o campeonato, que estava suspenso desde 1º de maio — véspera da ocupação policial na comunidade.
Aline do Nascimento, 28 anos, mora na localidade conhecida como Ferro-Velho, a poucos metros de onde os 12 times de futebol disputavam troféus. Ela lavava roupa na laje de casa, por volta das 11h, e foi atingida no ombro por bala que o transfixou. Vizinho socorreu Aline, que chegou ao Hospital Getúlio Vargas bastante nervosa. O marido, José Carlos de Andrade, 42 anos, é funcionário da Comlurb e deixou o trabalho às pressas.
'Ela ouviu os fogos pela chegada da polícia, mas não viu o Caveirão nem sabe de onde partiu o tiro. Deixamos muitas vezes de sair com medo do que poderia acontecer na rua', contou José Carlos.
O presidente da Associação de Moradores da Merindiba, Luís Cláudio dos Santos, planejou o torneio para que a comunidade voltasse às ruas. Na festa, além de troféus para campeões e artilheiros, havia pagode, churrasco e cerveja de graça. Ele afirmou que os gastos foram pagos pela associação — sem revelar o valor
. " (O Dia Online-08/06/07)

Nada do que está ocorrendo é novo!

A fórmula já foi aplicada em sucessivos momentos no RJ.
E os resultados são obviamente previsíveis: na melhor das hipóteses, deslocamento de mancha criminal (efeito espantalho) e, infelizmente, cada vez mais mortos e feridos, marginais, militares e civis, dentre os quais, naturalmente, os mais indefesos, ou seja, mulheres, idosos e crianças.
Enquanto é apregoado o enfrentamento bélico, outros enfrentamentos parecem ser convenientemente olvidados:
-absoluta falta de eficácia da polícia investigativa;
-falta de ferramental adequado para a mediação de conflitos por parte da polícia ostensiva;
-aparente falência logística da polícia ostensiva;
-baixos salários da polícia, exceto em relação a delegados;
-carga horária exorbitante na polícia ostensiva;
-escalas inadequadas à investigação na polícia investigativa;
-ausência de pensão militar no estado, implicando em desfavorecimento às viúvas dos mesmos militares que tombam no cumprimento da "política de segurança" do RJ;
-ausência de repasse por parte do estado da contrapartida alusiva ao fundo de saúde da PM, em valores próximos de R$100.000.000,00 (cem milhões de reais), implicando em dificuldades ao atendimento dos mesmos militares estropiados no cumprimento da "política de segurança" do RJ, bem como às viúvas e filhos daqueles que tombaram.
-falta de transparência quanto aos resultados do trabalho da polícia investigativa;
-desvio de função institucional da polícia investigativa;
-falta de democratização quanto ao acesso aos bancos de dados criminais em relação aos que mais necessitam, ou seja, os policiais da ponta da linha;
-falta de independência da polícia técnica;
-disparidade absurda entre os salários das polícias do estado;
-desvio de função de inúmeros policias, à disposição dos órgãos mais diversos, chegando ao ponto de termos policiais militares utilizando uniformes à disposição da polícia civil (parece piada);
-aparente leniência quanto aos pequenos delitos, olvidando-se dos reflexos da mesma para o reforço do paradigma da impunidade; e
-em síntese, aparente presidência de conveniências políticas, do ponto de vista pessoal (e não técnicas), em relação à tomada de decisão no âmbito do estado.

Sem mais novidades no front!

Até quando?

5 comentários:

Projeto 200 Anos disse...

Caro Companheiro WANDERBY:
Parabéns pelas suas postagens, cada vez mais oportunas.
Não usamos maisl emails em razão do rastreamento.
Pode postar qualqer artigo no nosso (inclusive seu!) blog.

Anônimo disse...

GREVE JÁ!

Anônimo disse...

Parem de bobagem, projeto 220 anos!
Vocês não são o Pai, mas são um!
Que palhaçada é esta de parabenizar o major Wanderby?

Anônimo disse...

realmente, para os policiais mortos em confronto, é um caminho sem volta.

Anônimo disse...

TEMOS Q NOS UNIR AMIGOS! CHEGA DE ENROLAÇÃO, OU NOS DÃO UM SALÁRIO DIGNO OU IREMOS MOSTRA-LOS O NOSSO VALOR ATRAVÉS DA GREVE!

MAIS INCONSTITUCIONAL QUE UMA GREVE É O SOLDO DE UM SOLDADO PM SER MENOR QUE O SALÁRIO MÍNIMO! VERGONHA!

GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!
GREVE JÁ!