25/12/08

Um preço muito alto!

Passados quase dois anos da chegada do delegado gaúcho à Secretaria de Segurança Pública do RJ, ao menos uma coisa parece ser absolutamente certa.

As idas e vindas, os "laboratórios", as grandes operações, a militarização e o desvirtuamento ainda maior da Polícia Civil, o acirramento da perda de foco da Polícia Militar, as mortes, os blindados, o sangue, a sensação de impunidade, as declarações, as não declarações, as ações e omissões revelam claramente que José Beltrame não sabe o que faz ou, se sabe, tem intenções estranhas ao interesse público.

É claro que posso estar enganado, mas meu sentir é que Beltrame tem preocupação maior em agradar a colegas seus, delegados de polícia (e em manter seu cargo), de que em ao menos tentar bem cumprir o mister do qual foi incumbido.

Não consigo entender como pôde ele (ladeado por seus colaboradores) protagonizar medidas tão incorretas e lastimáveis do ponto de vista do trato da coisa pública e da segurança da sociedade como a retirada das ruas dos policiais militares que atuavam no trânsito, a destinação de um helicóptero para transporte de tropa para a polícia investigativa, a manutenção da ocultação das taxas de elucidação de delitos, a brandura com relação às dificuldades de acesso por parte de policiais militares a bancos de dados de natureza criminal, o apoio a atitudes incorretas como a utilização de policiais e bombeiros militares como x-9 ou algo que o valha, etc.

A atuação de Beltrame tem reflexos claros e nefastos no dia-a-dia dos cidadãos fluminenses, como a subutilização do trabalho de policiais militares na mediação de conflitos e a dificuldade de acesso à justiça dela derivada, o incremento da sensação de impunidade (para criminosos de maior e de menor potencial ofensivo), o domínio das ruas pela jogatina e a corrupção policial que a acompanha, o fomento à cultura do "tudo pode" em relação à Polícia Civil e a elevação dos denominados "crimes de rua".

De Beltrame pra cá, as coisas ficaram ainda piores... muito dinheiro foi mal gasto e muito sangue foi derramado... em vão.

A sensação de que o crime compensa parece cada vez mais latente, inclusive no meio policial. É claro que nem tudo está perdido, pois é possível reconstruir os valores que estão sendo destruídos, privilegiar a transparência, a liberdade de expressão e o profissionalismo e colocar as coisas nos seus devidos lugares, mas a cada dia que passamos sob o império do que aí está, mais tempo deverá ser necessário para a reconstrução da segurança pública e, lamentavelmente, mais vítimas inocentes (ou supostamente não) haverá.

O preço da manutenção de Beltrame no cargo tem sido pago e continuará a sê-lo em vidas humanas. A mais recente execução perpetrada pela polícia, a alteração da cena do crime e as declarações oficiais a respeito não me deixam mentir.

2 comentários:

Anônimo disse...

Não sendo corporativista!!! Se está ação fosse da PMERJ, a mídia estaria batendo forte, mas foi dos delegados que tem esses crápulas no grampo ai....

Anônimo disse...

Por que os soldos da PMERJ continuam abaixo do salário mínimo??

Para o STF, isto é inconstitucional!

CUMPRIR A LEI NÃO É OPCIONAL...

Segundo o inciso I do artigo 92 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, o soldo do soldado da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar não pode ser inferior ao salário mínimo.

Salário mínimo vigente: R$ 415,00 (quatrocentos e quinze reais).

O MENOR SOLDO DA PMERJ E DO CBMERJ NÃO PODE SER INFERIOR AOS "QUATROCENTOS E QUINZE REAIS" PREVISTOS NA LEI Nº 11.709/2008 (Diário Oficial da União de 20.06.2008)!

O soldo do PM do Rio é vergonhoso (R$ 236,63)!!

UM DOS PRINCIPAIS FATORES DE ESTRESSE VIVENCIADOS PELOS POLICIAIS MILITARES DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO É O SALÁRIO, CONSIDERADO INJUSTO.

Salário ou remuneração é o conjunto de vantagens habitualmente atribuídas aos empregados, em contraprestação de serviços ao empregador, em quantia suficiente para satisfazer as necessidades próprias e da família.

Segundo alguns juristas, a diferença entre os termos salário e remuneração, está no fato do primeiro dizer respeito apenas ao pagamento em dinheiro, e o segundo engloba também as utilidades, ou benefícios, como alimentação, moradia, vestuário, e outras prestações in natura. Segundo legislação brasileira, salário é o valor pago como contraprestação dos serviços prestados pelo empregado, enquanto remuneração engloba este, mais outras vantagens a título de gratificação ou adicionais.

Nas sociedades capitalistas, salário (ou capital variável no conceito de Marx), é o preço oferecido pelo capitalista ao empregado pelo aluguel de sua força de trabalho por um período determinado, geralmente uma semana ou um mês, ou por unidade de produção.

Segundo os economistas neó-clássicos, os salários são determinados pela produtividade marginal do trabalho.

O termo tem origem no latim salarium argentum, "pagamento em sal" – forma primária de pagamento oferecida aos soldados do Império romano.

Em alguns casos o salário recebe nomes especiais, como o soldo dos militares.

Por favor, respeitem o Policial Militar do Rio de Janeiro!